Franquia de dados e o tiro no pé das operadoras

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A discussão sobre o limite de consumo de dados imposto pelas operadoras continua ali e aqui nos grupos, fóruns e comentários da internet. Volta e meia, o assunto ganha mais visibilidade, quando a ameaça da franquia vai se tornando cada vez mais real aos assinantes dos serviços de telefonia. Algumas empresas já praticam a franquia de dados, todavia com exceções de acordo com a cobertura. Existe pairar sobre todos os internautas um senso comum que a pratica é injusta. Mesmo com todas as alegações contrárias ao limite , as operadoras tratam o assunto como se fosse uma tendência natural do mercado de telefonia.

Algumas invenções tornam-se patrimônio da humanidade. Uma delas é a internet. A invenção de Gutemberg causou uma grande revolução na disseminação do acesso as informações e causou profundas transformações nos campos da arte, economia, religião e por que não dizer, até das relações sociais. Imagino o que aconteceria se as pessoas que puderam ter acesso às informações impressas pelas prensas de Gutemberg, sofressem algum tipo de limitação na leitura. Realmente aconteceram as censuras, como o famoso Index da Igreja Católica. No entanto, as censuras fracassaram e aqui estamos nós no século XXI, gratificados por podermos ler livros, jornais e revistas sem existir uma instituição oficial que nos diga o que pode e o que não pode ser lido.

Parece que o fenômeno se repete com a internet. Mas além do limite do volume de dados que chegam até as pessoas, existe uma exploração desproporcional sobre o valor dos serviços comercializados pelas operadoras. A tolerância do cliente em pagar um preço injusto era suportada, pois quando ele conseguia uma conexão estável, pelo menos não se preocupava em ficar contando quantos kbytes ainda lhe restavam. Agora nem isso mais.

Evidentemente que as empresas de telefonia buscam aumentar seus lucros. E isto não é o problema. A questão é que elas estão usando de uma estratégia que a longo prazo poderão gerar mais despesas e, talvez exagerando um pouco, consequências repressoras.

            Simplesmente as pessoas não vão aceitar passivamente as imposições de consumo. Não com as cotas de franquia estabelecidas até a presente data. Surgirão aqueles que irão descobrir brechas no sistema das operadoras e criar meios de comercializar estas brechas. As operadoras irão aumentar os seus custos, investindo na segurança de seu sistema e criar mais sanções aos clientes, criando uma espécie de vigilância que pode invadir drasticamente a privacidade e até o que o cliente pode acessar ou não. Também por outro lado, aguçará mais ainda a curiosidade alheia sobre os assuntos que envolvam “hackeamento”, pois aqueles que não concordarem em pagar pelos softwares e dispositivos que burlam o sistema, aprenderão a descobrir e a criar os seus próprios meios de agir livremente na internet.

            O texto parece ser romântico e grosseiramente profético. Mas quem ler o texto, não deixará de notar uma certa lógica. Como disse antes, a internet é uma invenção para a humanidade e um meio de aprimoramento não somente em termos de conhecimento como também de relações sociais. Se existe dúvidas de como os conhecimentos estão sendo produzidos e como as pessoas vem se relacionando na internet, isto deve ser tratado diferentemente sem que seja subtraída a liberdade de acesso.

            No mínimo as operadoras deveriam aumentar as franquias dos assinantes. Repito, no mínimo. A desculpa que a maioria dos assinantes pagam por aqueles outros que usam abusivamente da rede não é convincente. Se for verdade, não pode a maioria dos clientes serem penalizados por estes poucos que usam a rede de maneira inconsequente. Ou então que a empresa invista mais em infraestrutura. O investimento é alto, mas como a internet é um negócio que sempre tem demanda crescente, o retorno dos custos é tão certo quanto dos lucros.