Metódo de Trabalho – Mário Quintana

Mário Quintana ocioso.
Mário Quintana ocioso.

– Não sei pensar a máquina. Escrevo, isto é, faço o meu trabalho criativo primeiramente a lápis. Depois, com o queixo apoiado na mão esquerda, repasso tudo a máquina com um dedo só.

– Mas isto não custa muito?

– Custar custa, mas dura mais.

O Livro de Jô Uma Autobiografia Desautorizada – Volume 1

Li o último livro do Jô Soares que faz um relato sobre sua vida pessoal e artística. Além de ser um registro histórico de um dos mais talentosos artistas brasileiros, a narrativa é divertida e terna. Arrisco em dizer que deve ter milhares de pessoas lendo a autobiografia do Jô Soares, curiosos em saber sobre a vida íntima daquele que tanto nos divertiu em programas de humor e em seus últimos trabalhos como entrevistador.

Mas pra falar a verdade, eu só fiz este post pra… Peraí, lembrei de uma coisa. Depois volto nesse assunto.

Eu fui no cinema assistir Star Wars: Os Últimos Jedi, e, como disse no Twitter, 3 máquinas de fritar ficaram fazendo o maior barulho no cinema. Não sou de ir ao cinema, mas o filme valia a pena a ida. Pelo menos, eu já fui sabendo que a possibilidade do já referido evento ocorrer. Então, dias depois, estava eu em uma profunda ociosidade, quando aparece um espectro em uma aura verde, vestido de Jedi. Reconheci de cara a pessoa pelas risadinhas descaradas. Era o Costinha. Aí intimei: ” Valeu viu. Você foi bacana. Deixou aqueles caras na maior zueira lá, a diversão foi subtraída em 34%.” O Costinha Jedi respondeu: ” Meu filho, era aquelas 3 torradeiras ou o Seu Com Licença do Jô Soares ( somente quem leu o livro a autobiografia dele vai entender). O que você preferia?” Apenas respondi com um tudo bem, tudo bem…obrigado, obrigado e ele desapareceu fazendo aquele buonnn com a boca.

Voltando. Este post é na verdade uma desculpa para escrever sobre um filme surreal com a participação do Jô Soares. Vi a entrevista dele no Conversa com Bial e durante a entrevista mostram um Jô Soares com peruca, com o rosto pintado, revoltado diante de uma televisão em um filme preto-e-branco. O Jô Soares diz que é o filme mais incompreendido do cinema nacional, Hitler 3º Mundo. Achei a entrevista muito interessante e pensei em comprar o livro quando estivesse num valor que eu pudesse comprar. O que a Amazon fez com a versão digital do livro.

Então, depois que termino de ler o livro, vem uma série de fotos do Jô Soares e, entre as fotos, uma com ele como Samurai da cena do filme que vi na entrevista. Veio a ideia de procurar o filme no Youtube. E realmente estava lá o filme para assistir. Mais de 1 hora durante a madrugada, assistindo entre sentimentos confusos, pois não sabia se o filme era para rir ou para pensar. Permiti a mim fazer pensar e rir. Um clássico que mostra cenas daquela parte pobre do Brasil que na década de 60 era muito pior do que agora. Para mim é um filme enigmático, inteligente, cômico, dramático e trágico. Tem algo de Quentin Tarantino, Seth MacFarlane e Francis Ford Coppola, tudo misturado e autêntico.

Eu fiz uma edição do Hitler 3º mundo, apenas com a participação do Jô Soares. Sem o Samurai que ele interpreta, não sei se o filme seria tão interessante e cômico como é. Em uma linguagem moderna, se o filme fosse seriado, um spin-off do Samurai faria o maior sucesso. Abaixo segue o video. Atenção: tem uma cena de nudez. Em 17m40s é como me relaciono com a minha televisão.

Poemas alucinantes – Muros urinados

Na patina de muros urinados, descriptografei mensagens de amores perdidos.

Os  ditadores de alegria monofisista com suas iniciações e honras para Braúlio. Gonorrentos de machismos atemporais, pinchavam os muros de palavras em gritos ácidos.

Freud teve seus motivos ao analisar estes psicopintos. Por culpa deles, o austríaco de charuto circuncidado diria: a humanidade é movida por freuda.

Os muros de Tróia choravam de longe a corrupção infligida a seus primos. E os tijolos apoiados pelos ombros companheiros, choravam dizendo: antes fossem destruídos como seremos. Voltemos ao pó e, quem sabe, novos tijolos daquele muro seremos e mudemos.

As minhas luvas sujas pelo pus amarelo. As ferramentas gastas pelo desespero ansioso da elucidação.  Versos, então,  raspados de códigos horrendos, rodearam minha cabeça que foi tombada, enfim, por um deus louco que inspirou este poema devaneio.

A Gruta de São João Batista – Shimon Gibson

Terminei de ler um livro muito, muito interessante:  “A Gruta de São João Batista” de Shimon Gibson.

Este livro trata sobre a descoberta de uma gruta próximo de Ain Karim, a oeste de Jerusalém –  se diz que neste lugar João Batista nasceu – , onde a equipe do autor que é arqueólogo, encontrou vestígios de um antigo ritual que envolvia o uso de água. Um destes vestígios é a imagem riscada em uma parede de um homem que poderia representar o João Batista dos evangelhos canônicos. E o que dizer também de uma rocha dentro da gruta, onde o fulano colava o pé para ser “benzido”.

O autor faz toda uma descrição de como descobriu a gruta, o processo de escavação e como justifica a gruta sendo a que era usada por discípulos de João. Também seus estudos seguem sobre como seriam os ritos acontecidos no local, além de avançar sobre a vida do pregador, sua relação com Jesus e o que aconteceu depois de sua decapitação. E a leitura irá conduzir o leitor também a outros lugares e tempos relacionados ao culto de João Batista e seus ritos.

Não é um livro religioso. Mas Shimon transmite simpatia ao leitor ao opinar sobre os rituais de batismo, fundamentando-se em seu senso de pesquisador. Pelo menos foi o que senti durante a leitura.

O livro mostra o quão João Batista foi importante e o quanto seu papel foi diminuído nos evangelhos canônicos para que Jesus ficasse em cena. Os religiosos podem pensar sobre isso com naturalidade, já que foram educados para pensar dessa maneira. Mas a reflexão proposta pelo autor do livro, faz nos considerar sobre as relações de poder que sempre existem em todos os setores da vida. Algumas perguntas incômodas podem vir ao leitor religioso, durante a leitura. Mas se estiver de mente aberta, as respostas podem contribuir para a sua espiritualidade. Mas repito, o livro não faz nenhuma proposta espiritual ou religiosa. É escrito por um cientista arqueólogo que descreve sua entusiasmante descoberta.

A Gruta de São João Batista é um livro que destaca e restaura a memória de um personagem bíblico importante e que foi especialmente cultuado nos primeiros séculos da era cristã.  Particularmente, meu interesse neste livro foi mais sobre o que João Batista representou do que sua historicidade. O estudo sobre o dito profeta pode trazer muito esclarecimento sobre assuntos relacionados.

Tem ilustrações? Teeem! Tem fotozinhas? Teeem! Um livro que tem seu lugar na estante para estudiosos interessados ou praticantes do cristianismo. Tem um tom acadêmico, mas escreve com desenvoltura para qualquer leitor. E deixa no final do livro um bibliografia extensa. Eu gostei demais.

Poemas alucinantes – Me Pituba

Na praia da Pituba cabeças despirocadas se aglutinam. Dedos socam murros de zap zap em axé music de rotina estridente.
Caravelas pisoteadas, as vinganças ardidas nos pés dormentes. Queria eu que minha mãe Iemanjá, me levasse para longe desses novos e admiráveis crentes.

Dancem mãmães, dancem.

Postado originalmente em: http://arjuna-vallabha.tumblr.com/post/169273035937

Aviso

Um aviso ao leitor que pode gastar um pouco de seu tempo neste blog. É preciso que você saiba que sou um livre-pensador. Até a presente data deste post, não tenho vínculos oficiais com nenhuma doutrina ou religião. Mas tenho uma simpatia muito especial por aquelas filosofias e doutrinas que colaboram com o exercício pleno da liberdade de qualquer homem ou mulher. Essas doutrinas e filosofias que também combatem apologias que excitam o preconceito étnico, a intolerância religiosa e o desrespeito à orientação sexual dos indivíduos. Quanto a prática de religiões, acredito em um Estado laico que garante a liberdade de escolha dos cidadãos.  E que ninguém nesse Estado laico, seja coagido a participar de determinados princípios religiosos ou até mesmo ficar prisioneiros deles.

No entanto, percebo que no Brasil, que tem uma Constituição que prevê e determina os princípios de um Estado laico, permite que estes mesmos princípios sejam corrompidos. De maneira muito sutil e disfarçado, um aparato se move contra aqueles que são apontados como “vozes ameaçadoras” de religiões ou doutrinas que se querem hegemônicas no país. Espanta-me que estas religiões e doutrinas são as mesmas que pregam sobre um homem que foi pregado em uma cruz, mostrado como exemplo de libertação da humanidade. Não vejo essa liberdade em ação no cotidiano. Algumas dessas religiões e doutrinas, um tempo atrás, também foram perseguidas por seu entendimento diverso da ortodoxia. Hoje elas usam táticas sofisticadas de seus antigos algozes.

O parágrafo acima também serve àqueles que se incomodam com ideologias que não são iguais às suas. Isso ocorre no mundo da arte, da tecnologia e outros setores. Por exemplo, chega a ser risível o proselitismo contraditório de alguns grupos que se intitulam arautos do software livre. E sobre aqueles que usam sua arte para promover disfarçadamente o seu partido. Por que não se declaram logo que são de partido A ou B? Respeito aqueles que sem medo defendem suas ideias sem escaramuças musicais, teatrais ou livrescas. Por acaso, estamos novamente na ditadura? Às vezes, duvido da existência da democracia em nosso país.

O fato é que o que existe mesmo é uma grande luta de poder e influência sobre o pensamento dos brasileiros. Não percebo uma sincera vontade de patriotismo. E o brasileiro tão pouco move-se patrioticamente. São submissos aos comandos de suas TV’s, computadores, smartphones e redes sociais. Não sabem dialogar. E não sou eu o único a ter dedos ou voz que lançam publicamente esta situação. E digo que algumas vezes, tenho uma enorme dificuldade de publicar algo no meu blog ou no Twitter por conta de algum “acidente” nos meus computadores e outros dispositivos. São “falhas da máquina” como fazem crer.

Particularmente, no bom uso do meu ego, menos me importo com o comodismo do brasileiro do que com a preservação da minha liberdade de expressão e de escolhas. E saiba o leitor que é este o motivo deste post. Saibamos respeitar as fantasias de um e do outro.  E para lembrar o primeiro parágrafo, não autorizei que nenhum doutrinador responda por mim. Se tem dúvidas quantos as minhas ideias, permitam que eu mesmo as responda. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, onde vocês estão?