Resenha: A canção de Annie – Catherine Anderson

A canção de Annie é um romance de época que nos prende do início ao fim. É uma história envolvente que começa de uma maneira trágica, mas que vai se desenrolando de forma doce e até mesmo divertida.  Alex Montgomery casa-se com Annie ao descobrir que ela foi violentada por seu irmão. Por consequência dessa violência fica grávida. Alex promete cuidar do filho de Annie,  mas o que ela não esperava era se apaixonar e se encantar por ela.
Ele faz de tudo para entender quais foram os motivos que fizeram Annie ser do jeito que é e descobre que ela não tem nenhuma deficiência mental, como quiseram fazer acreditar os seus pais. Annie sofre de surdez em consequência de uma forte febre que teve aos seis anos de idade.  A partir dessa descoberta, Alex não mede esforços para compreender e ajudar Annie a ter uma vida melhor e até mesmo resgatar o respeito e dignidade que lhe foi tirada por sempre a tratarem como uma pessoa mentalmente incapaz .
A história tem momentos hilários que nos arrancam risadas, mas tem seus momentos de reflexão que nos deixam uma linda lição de vida. Recomendo muito a leitura. A canção de Annie é um daqueles livros que nos deixam com gostinho de quero mais quando termina.

Resenha: O herdeiro – Joice Bittencourt

Esse é um livro pra quem gosta de literatura quente, pois as cenas são bem detalhadas e realistas.
Quando eu comecei a ler a sinopse, logo pensei que seria um daqueles livros em que o mocinho ia maltratar a mocinha, se apaixonar por ela e tentar conquista-la a todo custo. Ele se apaixona sim pela mocinha, mas isso acontece logo nas primeiras páginas. E o mote da história então é fazer o seu pai, por quem ele é totalmente submisso, aceita-la. Claro que teria que acontecer algo de muito ruim pra que isso seja possível. O pai adoece e quem poderá salvar sua vida é justamente a neta que ele tanto rejeita.
O livro trás também o tema de tráfico de mulheres, mas é pouco explorado. Assim como todos os outros conflitos que aparecem.
Apesar do livro não ter sido revisado, pois trás muitos erros de português, tem a leitura rápida e fluída. Conforme o tempo que você dedica à leitura, dá pra ler numa “sentada” só.

Resenha: A carona – Tatiana Amaral

Daniel e Gabriela foram namorados na adolescência, mas que por circunstâncias da vida se separam. Numa viagem de Daniel, eles se reencontram quando Gabriela pede uma carona a ele. Gabriela o reconhece de imediato, mas Daniel não. Aliás, ele acha que ela é uma incógnita e tem distúrbio de personalidade. Mas Gabriela só age assim por defesa. Durante a viagem eles vão se envolvendo cada vez mais. Tudo narrado de forma leve, com cenas eu diria até clichê demais, sem muito drama consistente.
“E nesta briga, atirando coisas um no outro, acabaram com tudo o que era para o café de ambos.”
A cena mais bonita do livro é quando os dois falam de seus passados e das marcas profundas que foram deixadas nos dois.
“A proposta é a seguinte: Você me conta porque não via seu pai há muito tempo e eu te conto sobre uma parte muito importante da minha vida.”
Nessa hora Gabriela leva vantagem, pois ela sabe quem é Daniel. E ele como ainda não sabe que na verdade ela é Lorena seu primeiro amor, apenas faz abrir seu coração e contar o que o fez agir como agiu na época e ainda fica sem entender certas atitudes de Gabriela
“Gabriela limpou discretamente a lágrima que escorreu por seu rosto. Era difícil ouvir dele tudo que tinha sonhado ouvir durante anos.”
Livro de leitura leve e rápida e com final feliz, recomendada para aqueles momentos em que não precisamos de muita concentração para ler.
“Travessuras da vida, que um dia entediada resolveu brincar com o destino deste casal, mas quem pode vencer um amor verdadeiro?”

Resenha: Como Jesus se tornou Deus – Bart D. Ehrman

Apesar do título, “Como Jesus se tornou Deus” é um livro que não tem pretensões teológicas. O autor é um pesquisador que faz uma análise histórica sobre como as pessoas compreenderam Jesus no desenrolar do primeiro até o quarto século do cristianismo.
Bart D. Ehrman escreve o livro de maneira acessível ao público, problematizando questões sobre a pessoa de Jesus de Nazaré sem utilizar uma linguagem demasiadamente acadêmica. Isso é seu mérito, pois o assunto já foi motivo de diversos estudos e publicações, mas não com o objetivo de popularizar o debate. O livro conserva as referências bibliográficas das fontes utilizadas pelo autor e o mesmo é honesto quando expressa as suas opiniões mais particulares.
O tema é polêmico. A grande maioria dos crentes e até mesmo dos não crentes, aprendem que Jesus sempre foi entendido como Deus. Segundo Ehrman, do cristianismo primitivo até o século IV, houve várias percepções sobre a divindade de Jesus e estas percepções evoluíram e competiram entre si, até chegar a uma proposição ortodoxa que é a aceita hoje. Bem resumidamente, existiam duas correntes de pensamento: uma dizia que Jesus teria se tornado divino por adoção de Deus e a outra que dizia que Jesus era uma criatura divina por natureza que foi encarnado homem e que foi exaltado tão divino quanto Deus. Atualmente é dogmático o conceito de Jesus como segunda pessoa da Trindade e consubstancial ao Pai, não criado, igual em poder e eterno desde sempre. Um dogma que foi imposto graças à intercessão do Constantino, o imperador convertido que viu no cristianismo a força amálgama que uniria o Império Romano. Se a Igreja continuasse com diferentes interpretações e divisões, a fragmentação do Império não seria contida. Foi escolhida a compreensão aceita pela maioria e os que insistiram no desacordo foram exilados.
A abordagem do livro começa com um estudo sobre a interação entre deuses e humanos na antiguidade, não somente na cultura pagã mais também judaica. Apresenta outros candidatos a “messias” que concorreram com Jesus. Entra nos livros do Novo Testamento ressaltando as diferenças entre os evangelhos canônicos e investiga demoradamente as cartas do apóstolo do Paulo no que se refere ao tema. As cartas dos outros apóstolos não são esquecidas e também são alvo do autor.
Como Jesus se tornou Deus é um livro instigante e despretensioso em determinar qual o melhor conceito sobre a divindade de Jesus. Nem tão pouco quer afirmar se realmente ele era ou não Deus. Não é um livro religioso ou de teologia. No entanto, a pesquisa histórica de Bart D. Ehrman deixa aparecer o humano Jesus. Sábio e humilde rabi que vindo da zona rural, transmitia uma mensagem simples e inovadora de amor para todos que quisessem ouvir. Com o passar do tempo essa mensagem começou a receber múltiplas interpretações e refinamentos, modificando não apenas o evangelho em si como a própria visão sobre a pessoa dele.