Contos Alucinantes – A Heresia Gentilesca

Estudando a história da cidade de Silascaba.

No séc. XVI foi formada uma sociedade secreta nesta cidade, onde os seus respectivos confrades eram conhecidos por fazerem gestos de gentileza e por terem boa fala. Estes mesmos homens e mulheres foram perseguidos e mortos por suas práticas heréticas.  Mas dizem que alguns sobreviveram e continuam disfarçados em Silascaba.

Um dia desses, uma herege me atendeu num formato de uma jovem tímida e com um sorriso tão gentil que se desmacarou totalmente diante de mim sua heresia. Ruboresci.
Meses mais tarde, encontrei um bilhete perfumado com mistérios de carinho e caligrafia de soneto que dizia: “muito obrigada.”

O cheiro do perfume de flores eu reconheci e o sorriso na caligrafia também.

Prêmio Boburazul de Entretenimento 2017

Meu prêmio Boburazul de Entretenimento para os programas de tv, seriados e cartoons que mais me divertiram. O prêmio é meu e eu dou pra quem eu quiser. Mas se o premiado não gostou, pode devolver que eu guardo pro próximo ano. Uma Boburazul é muito difícil de cultivar.

PROGRAMAS DE TELEVISÃO:

DOMINGÃO DO FAUSTÃO

DOMINGO LEGAL

ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO

*Eu não sei…Mas… Tem algo de Gilhereme del Toro em seu Aldemar Vigário.

VIDA MELHOR

 

JORNAIS:

JORNAL NACIONAL:

JORNAL HOJE

JORNAL DA BAND

Jornal da Record News com Heródoto Barbeiro

 

SERIADOS E CARTOONS COM TRAÇOS AMERICANOS INVASORES E IMPERIALISTAS:

DESIGNATED SURVIVOR

THE BIG BANG THEORY

TRAVELERS

THE ORVILLE

BLACK MIRROR

YO-KAY WATCH

GRAVITY FALL

AMERICAN DAD

FAMILY GUY

*Estes 2 últimos cartoons são para adultos. Apenas um aviso.

Bom… Eu queria premiar mais alguns, mas fiquei com preguiça. FELIZ ANO NOVO PARA TODOS OS PREMIADOS.

 

 

 

 

A Alquimia do Despacho

Lembro quando os amigos da infância encontravam dinheiro nos despachos dos cruzamentos ou nos matos de capins, urinavam no papel moeda para que fosse feito o quebranto. Dessa maneira, as maldições dos Orixás não os azaravam.  A cédula era colocada ao sol. Quando já seca, muitos iam a uma vendinha comprar uma raia que é um tipo de pipa baiana.

Acontece que os mais apressadinhos, não esperavam a nota secar totalmente e levavam o dinheiro úmido, cheirando a urina, ao vendedor. O dono da vendinha ficava indignado e saia os meninos correndo, escapando dos safanões.

Isto foi um relato verdadeiro e eu não sei o que tem a ver com alquimia. Mas na arte a gente pode tudo.

 

Fotonovela – Em nome do Cravinho

Esta fotonovela é inspirada no filme “Em Nome da Rosa”. Você pode assistir na Netflix ou em algum canto da internet. Se não assistir o filme ou não leu o livro com o mesmo título, não vai entender e não me responsabilizo por suas interpretações.

E assim arruinei uma das cenas mais bonitas que já vi na sétima arte. Deus tenha piedade de minha alma.

O mundo fanático e supremo dos ciberbobs

Falando sério agora. Pessoal fica inventando coisas mirabolantes, quando deviam olhar para a História e aprender com ela. Eu não quero parecer contra inovações, muito pelo contrário, sou ansioso por elas. Torço por novas descobertas, o bom uso da tecnologia e um mundo plural de muitas escolhas. Porque a liberdade se fundamenta na possibilidade de escolher.

Mas existe gente que prega uma desvinculação absoluta com a História para que o novo possar surgir com toda a sua potência. Evitam ser escolásticos, mas se tornam inovadores da repeticão quando ignoraram a História, pensando que trazem novidades. Acho bonita aquela frase de Newton que todo mundo conhece, “…apoiado sobre os ombros de gigantes”. Existe uma verdade nisso. Apesar de que alguém poderia questionar em qual destes gigantes, vamos subir. Por exemplo, eu não gostaria de subir nos ombros de um Torquemada ( risos ). E, puxa vida! O que tem de torquemada ciberpunk libertário inovador por aí, não é brincadeira. Alias, já tenho um Baseado de Fatos Reais sobre isso. Eita divaguei. Voltemos.

Essas novas abordagens quase que religiosas sobre a compreensão da realidade, quando se tornam absolutas, são repetidoras dos mesmos excessos e erros de antepassados tão veementes acusados de tirania.

Quando eu tomo meu café pela manhã e vou trabalhar, saio de mente aberta tentando compreender o que sempre esteve presente e nunca tinha notado. Isto é encantador. Não é isso o que cientistas profissionais fazem? A capacidade de compreender e explicar nosso mundo, não seria uma boa referência para todos os leigos? Meu entendimento sobre metodologia científica é rasa, mas garanto minha capacidade de manter a mente aberta e ouvir os que entendem. Pelo menos algo de um bom cientista eu tenho. E é algo fundamental e imprescindível. Esforço-me em não ser anacrônico e nem absoluto. E isto é encantador.

Pensar que o encantamento vem tão somente das mitologias, teologias e fantasias é engano. Saiba que o astrônomo que compreende os mistérios de uma estrela ou o biólogo que assiste um micróbio no microscópio, também eles têm encantamento. Um encanto que não é exclusivo dos altares, mas parece estar se ausentando deles. E ocorre que o cientista pode também mergulhar no mundo da mitologia, teologia e fantasia. Assim como religiosos poderiam considerar teses científicas. Nada os impede. Essa permuta seria boa para todos. É uma questão de discernimento. Mas tenho que admitir que sou um idealista. Como já escrevi em outra oportunidade, cada um tende a viver em seus próprios carrosséis.

Quando eu assisti em um jornal televiso, um grupo de ateus reunidos e celebrando a convivência entre cantos, discursos e risos como em um igreja qualquer, vi a prova de necessidades inerentes e básicas dos seres humanos. Uma necessidade antiga e que com o passar do tempo, apenas vai mudando de forma. Aquelas pessoas estavam encantadas. E acho maravilhoso que qualquer ideologia possa atrair as pessoas para uma convivência sadia e feliz e que entenda a necessidade das diferenças. Porque foi assim que a natureza quis.

Não fui eu que diagnosticou o desencantamento pós-moderno e uma necessidade urgente de novas mitologias ou um “remake” das antigas que eduquem a humanidade a se integrar consigo mesma e com o seu mundo. Eu penso que a ficcão tem papel preponderante, mas deve proporcionar uma liberdade que nos permita nos aproximar mais da Ciência e não nos alienar dela.  Leiam Joseph Campbell e aquele sociólogo de nome complicado, o Zygmunt Bauman.

É preciso a integracão e não o fanatismo de idéias simulacras absolutas e exclusivistas. E estou apontando o dedo para você, fanático cibernético que pensa que descobriu os segredos do universo e precisa espalhar essa mensagem mesmo que seja por meio da manipulação e até mesmo violência. Claro que anexo a esta mensagem de vocês, está escondido aquele tesão de ter poder sobre as pessoas. O discurso de libertação de vocês é tão relativo quanto o daqueles outros que vocês acusam como os opressores da humanidade. Essencialmente, nada vejo em vocês além de velhos esquemas de dominação. Mas devo admitir que vocês vêm conseguido a adesão dos que não tiveram a oportunidade de desenvolver uma capacidade crítica. E estes, somente no nosso país, são milhões. A máquina ideológica de vocês é desencantadora e falha em quem aprendeu a pensar. Vocês usam as mesmas táticas de seus adversários. E no final das contas, é apenas uma questão de qual lado escolher.

É uma máxima que somos produtos de nosso tempo e espaço. E caímos na armadilha que esse tempo e espaço são sempre os melhores. O ciclo sempre se repete e de maneira geral, repetimos as lições como o menino que sempre repete de ano.

Eu sou um crente de deuses sem formas. E eles não se importam sobre o que penso sobre eles, mas sim como tenho pensado sobre mim e os meus semelhantes e como ter uma relação equilibrada com o mundo. Interessa-me mais os homens pensando sobre deuses do que o contrário. Minhas idéias são particulares. Até oferto, mas não vendo como a melhor solução do mundo. E nem quero suprimir a de outrem. Não sou tão tolo assim para ser pretensioso.

Poemas Alucinantes – O beco de Paris

Juntei moedas aposentadas de sonhos. E na idade de 74 anos, fui a Paris.

Fugindo de luzes comuns, entrei em um beco que cheirava a absinto 1864.  No beco, uma lâmpada brilhava a mesa de napoleões. Eles estavam apostando seus fígados envenenados por mercúrio em um jogo de cartas.

Ao voltar para casa, pendurei meu espanto em um porta-retrato. Prometi, desde então, nunca mais fazer uma viagem além de 10Km de Creta.

Baseado de fatos reais – A Catadora Samaritana

Estava eu aguardando um ônibus para ir ao trabalho. Na minha cidade é costume nos bairros, posicionar as caçambas de lixo nos pontos de ônibus. Eu nunca entendi muito bem isso. Acho que é para o cidadão se distrair, enquanto aguarda o seu ônibus chegar. Assim, você pode fazer um estudo antropológico sobre o que as pessoas consomem no seu dia-a-dia. Ou então, se divertir com o basquete lixo.  O que é basquete lixo? É assim. O cidadão fica uns 2 metros da caçamba e joga o saco de lixo. Se cair dentro da caçamba, beleza. Se cair fora e o saco espalhar todo lixo no chão, o cidadão segue andando na maior naturalidade. Engraçado também são aqueles que fazem dos seus veículos, carros alegóricos de lixo. Saem de casa com o lixo no capô do carro e vêm dirigindo em baixa velocidade para perto da caçamba. Estou sendo objetivo aqui, não é sarcasmo. Podem rir. São os tipos de “costumes” que testemunhamos em Salvador. Contudo, não estou escrevendo este baseado de fatos reais para fazer relatos antropológicos ( e o parágrafo de apresentação ficou enorme. Divaguei de tanta ansiedade para escrever ), mas por algo extraordinário que ocorreu em um desses rotineiros dias no ponto de ônibus.

Fui chegando  no ponto de ônibus e vi aquela caçamba linda e cheia de artefatos arqueológicos, sendo disputadas por passarinhos lavadeiras e pombos. Um dos pombos estava com as patinhas cheias de fios e tinha dificuldade de se locomover. Pois bem. Eu tive muita vontade de ir ajudar o animal, mas tive nojo por causa do lixo em volta. Disfarcei minha covardia dentro da minha camisa que era tão preta quanta a cor da minha omissão.

Foi chegando um outro cidadão de camisa branca com a palavra PAZ de todo tamanho. Passou pelo animal, mas foi mesmo que nada. Subiu mais a frente, sentou no banco do ponto de ônibus e colocou um fone de ouvido.

Uma outra cidadã de camisa vermelha com palavras religiosas, também nada fez. Passou pelo animal, viu umas amigas no ponto de ônibus e começou a narrar sua vida pessoal em um volume que dava para ouvir em outra dimensão.

Veio outro cidadão também com uma camisa cheia de traços americanos. Este também passou pelo animal e nada fez.

Foi quando chegou uma trabalhadora da catação de lixo. Ela foi chegando devagar e num jeito todo despretensioso, foi desamarrando os fios das patinhas do pombo e por fim o pássaro voltou a voar livremente. Feito o ato com tamanha naturalidade, também naturalmente, a catadora de lixo seguiu para a caçamba e começou a reciclar o lixo para tentar conseguir seu pão de cada dia.

Os outros dignos cidadãos que estavam no ponto de ônibus nem notaram a ação da catadora. Estavam cada um em seu “carrossel” pessoal. Apenas eu e minha esposa acompanhamos a mesma cena. Nunca mais me esqueci daquilo.

Meses depois, eu fui chegando no mesmo ponto de ônibus, presenciando os mesmos costumes de sempre. E, de repente, outro pombo todo embolado em fios. E este estava em situação pior. Chegava a se embolar no chão em agonia. Fiz o que deveria ser feito. Imitei a catadora.

Mais outro dia. Três crianças de mais ou menos 6 anos. Uma de bicicleta e as outras duas acompanhando. Um pombo parecia ferido e não conseguia sequer se mexer. Pois bem, o menino da bicicleta queria por que queria passar por cima do pombo. Eu estupefato, evitando a ação do menino, vi que a mais ou menos 30 metros, os responsáveis pelas crianças assistiam a cena sem se importar. Eu me importei porque tive a humildade de aprender com uma catadora de lixo.

E isto, caro ou não caro leitor, é o que eu entendo como Karma. Um entendimento que está longe das adaptações fatalistas que os ocidentais fizeram sobre o assunto. Eu que não sou praticante de nenhuma doutrina ou religião, apenas um curioso e amador hermetista, sem fins escatológicos, tive a graça de aprender.

FIM!