Baseado de fatos reais 4 – Simulacros de maquinações

Um dia desses eu estava em uma fila e aí recebi uma ligação de um amigo. Conversa vai, conversa vem, de repente falei para ele que no final da noite eu iria jogar Cities: Skylines. Ele me perguntou o que era e eu falei que era um simulador de cidades.

Pra que eu fui falar simulador. Um senhora de mais ou menos 60 anos, deu um tremedeira bem na minha frente e um chiliquizinho. Se virou para mim e ficou me olhando com aquele semblante de D. Bela da Escolinha do Professor Raimundo. Dei uma olhada geral na fila e percebi que as outras mulheres das mais jovens até as de meia idade, estavam mordendo os lábios úmidos. E os homens com aquele olhar de “hoje tem.”

Eu fiquei olhando pra direção da porta, já pronto pra sair correndo. Sou anti-social e não sou chegado em uma suruba. É algo pessoal, tentem me entender.

Outro dia também, em uma situação muito parecida, o caixa eletrônico começou a dar “erro de leitura”. Eu falei que era culpa da máquina. Rapaz, pra quê? O que foi de gente olhando desesperando pros lados, como se tivesse entrado um ladrão e que ia ter tiroteio a qualquer momento. Fiquei com tanto medo que cancelei a operação e deixei pra outro dia. Eu apenas sei que ainda continuo a não entender nada.

Enfim, eu ainda prefiro a ingenuidade fantasiosa dos antigos com seus deuses antropomórficos, aventuras olimpianas e redentoras. A supremacia do hermetismo do século XXI está longe de minha capacidade de processamento.

Baseado de fatos reais 3 – A Entrevista de Emprego

Entrevistadora: Qual seu nome?

Cidadão: Macacamente.

Entrevistadora: Cidade onde mora?

Cidadão: Salvador.

Entrevistadora: Qual o nome do bairro?

Cidadão: Kabullying.

Entrevistadora começa a gargalhar. Cidadão continua sério diante dela.

Cidadão: Minha vida é uma Bagunça.

Entrevistadora cai no chão e bate a cabeça de de tanto rir e a SAMU é chamada.

O cidadão levanta-se e procura outra agência de emprego.

Fim.

Einstein e Niels Bohr – A Viagem Alquímica

Hehehe…Ontem eu acabei de ler um livro escrito pelo Neil deGrasse. Quando eu vi essa figura em um dicionário, tive umas viagens nada a ver com o livro.

Amanhã estarei arrependido de ter postado isso. Mas aí será tarde demais. Eu… Eu tenho alguns problemas.

Baseado de fatos reais 2 – As Temíveis Ultramodernas Fábricas de Chocolate

Eu ainda prefiro chocolate como era feito antigamente. Adoro clássicos.

Vivi anos aguardando este momento. Sem tanta paciência, não teria conseguido. Foi um pouco chato.

Mas como a galerinha jovem diz por aí: ” Entendedores, entenderão.”

Deus Reconhecerá os Seus: A História Secreta dos Cátaros – Maria Nazareth Alvim de Barros

 

Eu tenho um interesse aguçado sobre as doutrinas fora da ortodoxia cristã. Uma em especial, o catarismo, tem sido motivo de minhas leituras atualmente.

Eu comprei o livro “Deus Reconhecerá os Seus: A História Secreta dos Cátaros” da autora Maria Nazareth Alvim de Barros que faz um relato histórico e muito sério sobre esta doutrina considerada herética.

A narrativa é densa e em algumas passagens pode se tornar cansativa. Mas está cheia de informações sobre os dissidentes e o drama de seu desaparecimento violento pela Igreja Católica da época. Particularmente, eu considerei o livro um pouco triste, pois você vai percebendo que os cátaros tinham uma doutrina de muita tolerância e de sinceras intenções espirituais. Uma doutrina que tinha em si alguns aspectos do cristianismo primitivo e que poderia elucidar muitas dúvidas sobre a própria pessoa de Jesus.

Meu pensamento quanto a eles está longe de considerações sobre se estavam certos ou errados, quanto sua prática teológica. Mas sim numa alternativa de viver o cristianismo. Mesmo com todas as ameaças para quem aderisse, inclusive ameaça de morte, esta doutrina conseguia cativar milhares de pessoas.

O cenário do livro acontece no século XII, sul da França, nos territórios conhecidos como Midi e Occitânia.  A atual Catalunha também abrigou muitos cátaros. Interessante também notar que estas mesmas regiões tinham uma riqueza econômica e diversidade cultural muito grande.

Eu comprei o meu exemplar em um sebo. Não sei se você vai encontrar em alguma livraria por aí. Foi um pouco caro, mas uma ótima aquisição para consultas futuras. A autora prestou um grande serviço para os leitores de língua portuguesa.

Baseado de fatos reais – 1

Um cidadão recebe em sua caixa de e-mail uma oferta da Spotify de 3 meses do serviço premium por apenas R$16,90. O cidadão pobre desacostumado com luxo, aproveita a oportunidade e faz daquilo um presente de natal para sua família. Aceita a oferta e assina.

Na tarde daquele mesmo dia, ele se deleita com o piano de Thelonious Monk e adormece embalado pelas notas do Jazz. Não suspeitava o pacato cidadão que perto dali estava um sensor de traços americanos que detectou a invasão americana jazziana no bairro que mora. O sensor enviou um sinal para o DDS ( Departamento de Defesa Soteropolitana ) e após acurada análise de seus computadores, o sistema DEFCON da DDS foi setado no nível ARREGAÇAR AGORA! Procedimentos de descontaminação deveriam ser realizados, antes que outros cidadãos fossem infectados.

De repente o cidadão acorda com um pancadão em alto volume de um samba-pagode. O bass do som, tremia o apartamento. Já acostumado com os procedimentos dos funcionários da DDS, correu com sua família para o banheiro. Ali eles ficaram juntos em um canto da parede até que toda a operação fosse feita. Os funcionários agiam como verdadeiros bombeiros, dignos de um Fahrenheit 451.

Terminada a operação da DDS, o cidadão saiu do banheiro e foi ver se sua conexão com a Spotify foi preservada. Sim, estava. E assim, por mais um dia ele e sua família sobreviveram e se tornaram mais forte.

Fim.

Koan Boburazul – 0 e 1

Um repórter foi até um mosteiro budista entrevistar um sábio monge. Pretendia escrever um artigo sobre os desafios da religião na pós-modernidade.
Chegando lá, fez a seguinte pergunta ao seguidor de Sidarta.
– O que o Buda faria diante dessa nova Samsara de 0 e 1 que criamos?
O monge se sentou e virou para a parede.
O repórter ficou olhando para as costas do monge, sacudiu os ombros dele, mas o monge continuava na mesma postura.
Sentido-se ultrajado, ele voltou para agência de notícias e escreveu um contundente artigo sobre a falta de sensibilidade das religiões diante do novo panorama mundial.  Sua matéria foi premiada e ganhou o prêmio Pulitzer.
Fim.