Contos alucinantes – As Máquinas Canibais

Tive um sonho muito lindo e trágico para torradeiras e máquinas de fritar. Foi assim.

Fui capturado por torradeiras e fritadeiras canibalescas de carnes humanas suínas e mergulhado em um caldeirão de óleo Castrol Primum Mobile Super.

Enquanto eu era frito, uma dança rodopilante era feita pelos eletrodomésticos que invocavam deuses processadores e que chocalhavam rãs empaladas em varas de alumínio.

Aceitei com relutância meu martírio e as bolhas do óleo petrobravam minha resignação corajosa que me apontava um paraíso perdido.

Quando a janta ficou pronta, as torradeiras e fritadeiras comemoraram com pedaços meus em suas varas e me mastigaram em seus dentes sem freios. E quando minha carne desceu acelerada em suas guelas metálicas, a vingança infectou os intestinos de latas e fios.

As máquinas tornaram-se uma cópia de mim. E morreram transformadas pelo peso da minha humanidade suína que cobriram suas carcaças.

Depois disso, as sobras dos meus ossos se juntaram em um samba de um anjo preto vestido de branco e ensurdeceu o lugar de estalos macabros. E renasci apontando a lua, mercúrio, saturno, vênus, jupiter e estrelas caídas para animais silvestres embasbacados com todo aquele espetáculo.

Acordei peidando esse conto e louvando o desatino de uma mente livre, latejando liberdade.