Todas as Cartas de Amor são Ridículas – Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras, Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente Ridículas.)

Fernando Pessoa

Para quem ainda não entendeu o capitalismo

“Em meados do século XIX, Karl Marx chegou a brilhantes insights econômicos. Com base neles, predisse a ocorrência de um conflito crescente e violento entre o proletariado e os capitalistas, que terminaria com a inevitável vitória dos primeiros e com o colapso do sistema capitalista. Marx tinha certeza de que a revolução começaria em países que tinham liderado a Revolução Industrial — como Grã-Bretanha, França e Estados Unidos — e se espalharia pelo resto do mundo. Marx esqueceu-se de que os capitalistas sabem ler. No início, só um punhado de discípulos o levou a sério e leu seus escritos. No entanto, quando essas primeiras fagulhas socialistas ganharam adesões e poder, os capitalistas ficaram alarmados. Eles também leram atentamente Das Kapital, adotando muitos instrumentos e conceituações da análise marxista.”

(“Homo Deus: Uma breve história do amanhã”de Yuval Noah Harari)

Destinos são construções humanas. Ou pelo menos podem ser mudados.

Contos alucinantes – Sidarta, o arroz e a formiga

 

Quando Sidarta começou sua busca espiritual, pediu orientação de mestres de escolas diferentes. Passava algum tempo com um, percebia que os ensinamentos do mestre não lhe satisfazia, dizia muito obrigado e ia em direção a outro. E isto aconteceu várias vezes.

Um dia ele decidiu parar de ficar entre um mestre e outro e pensou em ele mesmo buscar as respostas e soluções para o que depois seria conhecido como as Quatro Nobre Verdades. Aí ele radicalizou total.

Sidarta sentou embaixo de uma árvore e ficou em constante e profunda meditação. “Daqui não saio até entender as causas”, pensou ele.  Alimentava-se pouquíssimo e começou a definhar. Emagreceu a ponto de sua pele se esticar por seus ossos. Ficou esquelético. Estava a ponto de morrer.

Então um dia, quando tentava empurrar o único grão de arroz em sua boca, sua dieta diária, ouviu um instrumento de cordas sendo afinado e alguém que dizia “ se você afrouxar demais não vai conseguir tocar, se você esticar demais as cordas elas vão se partir”. Ao ouvir isto, Sidarta ficou paralisado de boca aberta e o grão de arroz que ele segurava entre os dedos caiu no chão. E o resto da história todos já sabem e quem ainda não sabe procure saber.

O que as pessoas não sabem é sobre aquele grão de arroz que caiu no chão. Enquanto Sidarta ficou pensando no que ouviu, como se fosse um Arquimedes quando gritou Eureka, uma formiga passou por ali e viu o grão de arroz. A formiga segurou o grão de arroz e levou a semente para suas outras companheiras formigas. E aquele grão de arroz foi dividido ao máximo para ser distribuído ao máximo para as outras formigas. E o arroz desapareceu no estômago dos insetos.

Milhares de anos depois, aquelas formigas renasceram como homens e mulheres no Ocidente. E sem exatamente saber o porquê do motivo, viviam insatisfeitas espiritualmente. Algumas destas pessoas tinham toda riqueza e poder que o mundo podia dar. E algumas delas sentiram o cheiro do mesmo arroz que Sidarta deixou cair no chão, vindo lá do Oriente. E para lá foram.

Quando chegaram no Oriente, encontraram homens e mulheres que compartilhavam e distribuíam ao máximo que pudessem o conhecimento que receberam de Buda Sidarta. E o ciclo recomeçou.

FIM!

Custo da Travessia: dois centavos

Existe a “estória do  homem que praticou durante quarenta anos como atravessar o rio Ganges a pé, por cima das águas; e tendo afinal alcançado seu fito, foi censurado pelo seu Santo Guru, que disse: “Você é um grande tolo. Todos os seus vizinhos atravessam o Ganges diariamente por dois centavos”.

De algum livro que não serve para nada, a não ser pesar nas estantes de desocupados.