Que se desfaça a luz!

É tanto pisca-pisca, lâmpada, holofote, lanternas, velas, estrelinhas… E ainda não entendo como é que ainda não conseguiram iluminar a nossa escuridão de cada dia.

Luz demais cega.

Contos alucinantes – Sidarta, o arroz e a formiga

 

Quando Sidarta começou sua busca espiritual, pediu orientação de mestres de escolas diferentes. Passava algum tempo com um, percebia que os ensinamentos do mestre não lhe satisfazia, dizia muito obrigado e ia em direção a outro. E isto aconteceu várias vezes.

Um dia ele decidiu parar de ficar entre um mestre e outro e pensou em ele mesmo buscar as respostas e soluções para o que depois seria conhecido como as Quatro Nobre Verdades. Aí ele radicalizou total.

Sidarta sentou embaixo de uma árvore e ficou em constante e profunda meditação. “Daqui não saio até entender as causas”, pensou ele.  Alimentava-se pouquíssimo e começou a definhar. Emagreceu a ponto de sua pele se esticar por seus ossos. Ficou esquelético. Estava a ponto de morrer.

Então um dia, quando tentava empurrar o único grão de arroz em sua boca, sua dieta diária, ouviu um instrumento de cordas sendo afinado e alguém que dizia “ se você afrouxar demais não vai conseguir tocar, se você esticar demais as cordas elas vão se partir”. Ao ouvir isto, Sidarta ficou paralisado de boca aberta e o grão de arroz que ele segurava entre os dedos caiu no chão. E o resto da história todos já sabem e quem ainda não sabe procure saber.

O que as pessoas não sabem é sobre aquele grão de arroz que caiu no chão. Enquanto Sidarta ficou pensando no que ouviu, como se fosse um Arquimedes quando gritou Eureka, uma formiga passou por ali e viu o grão de arroz. A formiga segurou o grão de arroz e levou a semente para suas outras companheiras formigas. E aquele grão de arroz foi dividido ao máximo para ser distribuído ao máximo para as outras formigas. E o arroz desapareceu no estômago dos insetos.

Milhares de anos depois, aquelas formigas renasceram como homens e mulheres no Ocidente. E sem exatamente saber o porquê do motivo, viviam insatisfeitas espiritualmente. Algumas destas pessoas tinham toda riqueza e poder que o mundo podia dar. E algumas delas sentiram o cheiro do mesmo arroz que Sidarta deixou cair no chão, vindo lá do Oriente. E para lá foram.

Quando chegaram no Oriente, encontraram homens e mulheres que compartilhavam e distribuíam ao máximo que pudessem o conhecimento que receberam de Buda Sidarta. E o ciclo recomeçou.

FIM!

Lótus sobre a Árvore da Vida

Tal como a semente de lótus,

que caiu em um lago e submergiu

até encontrar o lodo,

antes de se transformar em uma bela flor,

atravessou águas abismais,

e floresceu sob o sol,

assim desceram as almas para Malkuth,

para retornarem ao Ain,

para estarem com Ain,

para serem com o Ain.

Custo da Travessia: dois centavos

Existe a “estória do  homem que praticou durante quarenta anos como atravessar o rio Ganges a pé, por cima das águas; e tendo afinal alcançado seu fito, foi censurado pelo seu Santo Guru, que disse: “Você é um grande tolo. Todos os seus vizinhos atravessam o Ganges diariamente por dois centavos”.

De algum livro que não serve para nada, a não ser pesar nas estantes de desocupados.

 

A Revolta da Vacina no Rio de Janeiro

Entre surtos de caso de febre amarela e a onda de violência no Rio de Janeiro que exigiu uma intervenção militar no Estado carioca, lembrei de um texto que fiz alguns anos atrás e que cai muito bem para estes tempos conturbados em nosso país. Subtrai algumas frases, inserir outras para este post. Mas a mensagem continua a mesma.

O renomado cientista brasileiro Oswaldo Cruz, antes e durante a Revolta da Vacina, foi ridicularizado pela população devido a falta de uma educação crítica e preconceitos que ainda hoje parecem contaminar as mentes dos brasileiros. Devemos admitir que algumas medidas no processo do saneamento foram radicais e unilaterais, mas isto não desconsidera o efetivo trabalho do cientista.

O texto é para reflexão a quem possa interessar e saiba o que significa anacronismo.

vacinadentrodef

Desde sua implantação em 1889, a República brasileira se mostrou ignorante às necessidades da população. Inicialmente com promessas democráticas, a república dos militares e depois dos fazendeiros, não mudou consideravelmente as práticas políticas do antigo regime, pelo menos no que diz respeito à participação popular.

No ano de 1902, o então presidente Rodrigues Alves, começou a dar cabo ao seu planos de reurbanização e saneamento da cidade do Rio de Janeiro. Sua intenção era retirar do distrito federal o estigma de cidade epidêmica e atrasada que atravessava as fronteiras internacionais e, consequentemente, atrair novos investimentos e conformar a cidade de acordo com os padrões modernos que vigoravam na Europa, especificamente os de Paris.

bonde virado

O que parece num primeiro olhar, algo digno de louvor ao governo Rodrigues Alves, tornar-se duvidoso quando observados os métodos do seu plano. Moradores de cortiços terão suas habitações destruídas para o alargamento de ruas e criação de avenidas, sem direito de indenização e enxotados para a periferia. Somado a isso, como se não bastasse a falta de empregos e trabalhos com míseros salários, a população será obrigada a uma vacinação que, se não fosse o terrorismo policial, o mau tratamento, a desinformação, a invasão de privacidade e a desonra, poderia ter sido algo bem recebido, não se transformando num estopim da insurreição.

Como um bonde fora dos trilhos, a república brasileira não atendia a interesses gerais dos cidadãos. Seus fins eram oligárquicos e consequentemente excludentes. Não é a toa que o bonde virado é a foto mais representativa da Revolta da Vacina.

O Governo Rodrigues Alves

Quando assumiu a presidência em 15 de novembro de 1902, Rodrigues Alves deu continuidade à administração de Campos Sales, caracterizada por arrocho da economia interna e impopularidade. A política do ex-presidente foi marcada por aumentos de impostos e diminuição de investimentos nos setores da indústria, do comércio e dos serviços públicos, os que mais geravam empregos. Enquanto a economia nacional enfraquecia, os fazendeiros paulistas ganhavam privilégios para aumentar seus lucros com a agricultura de café. É compreensível as vaias, insultos e zombarias que Campos Sales recebeu dos populares, quando se despediu do gabinete presidencial, sendo necessário uma escolta policial para conduzi-lo até a estação ferroviária.

Quando Rodrigues Alves ficou no comando, colocou como prioridade a ampliação do porto, a reurbanização e a eliminação das epidemias na cidade do Rio de Janeiro. O porto já não conseguia mais abrigar as grandes embarcações da época, as ruas dificultavam o escoamento dos produtos que chegavam ou iam ao porto, além de já não conter o trânsito crescente e estar fora dos padrões do que se queria de uma cidade moderna. Num relatório de 30 de abril de 1903, a comissão encarregada das obras descreve:

“Todas as vantagens, entretanto, desta organização, serão prejudicadas se, ao mesmo tempo, não forem tomadas providências para a fácil comunicação entre a avenida do porto e as ruas centrais da cidade; o que, aliás, já o Congresso em sua sabedoria previu, autorizando o governo a fazer, fora do cais, as obras que forem necessárias para o tráfego das mercadorias. A grande avenida [Avenida Rodrigues Alves], ao desembocar no Largo da Prainha, só encontraria para seu escoadouro as estreitas ruas e vielas que hoje existem, e nas quais basta a parada de um veículo, para descarga ou por qualquer incidente, para que toda a circulação se paralise. É pois, indispensável que se elimine tão grande tropeço, prolongando-se a avenida através da cidade e pondo-a em comunicação com todas as ruas do centro comercial, muitas das quais terão de ser naturalmente alargadas no futuro. Esta avenida central já foi por V. Exa.indicada e adotada pela comissão, [,,,] o que constituirá um valiosíssimo melhoramento, quer para facilidade de comunicações, quer para o embelezamento e salubridade da cidade” (Sevcenko, 1984:34) .

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Avenida Central

O engenheiro Francisco Pereira Passos ficou reponsável pela reurbanização da cidade e Rodrigues Alve indica o mesmo para prefeito do Distrito Federal. Para o empreendimento, Passos pede ao presidente plena liberdade de ação, prevendo a agitação e os empecilhos jurídicos que a extensão das demolições e das obras iriam gerar. Em 20 de dezembro de 1902, ele recebe carta branca através de uma lei que cria um novo estatuto para a organização municipal. Com o estatuto, moradores e qualquer possuídor dos imóveis que estivessem obstruindo o alargamento das ruas, ficariam impossiblitados de qualquer reclamação judicial efetiva. O regimento desse estatuto foi chamado popularmente de “ a ditadura Passos”. Cabe aqui o comentário do jurista Afonso Arino de Melo Franco sobre a lei que favoreceu a reurbanização, considerada pelo mesmo anticonstitucional:

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Baseado de fatos reais – Hospital Bobumeron

Ouvi um cidadão contando em uma dessas tradicionais filas brasileiras que foi internado em um hospital famoso e que saiu de lá pior do que quando entrou. Foi vítima de uma infecção hospitalar.

Senhoras de caridade que visitavam o hospital se compadeceram do coitado e o levou para a clínica delas. O coitado foi logo curado – mas não sem sequelas – e ainda despertou uma paixão ardente nas senhoras. E entre gargalhadas, contou suas aventuras amorosas com elas.

O hospital famoso além de ter piorado o estado de saúde do paciente, ainda continua a fazer cobranças pelo “excelente” trabalho prestado.

Fim