Baseado de Plágios – Um Petrocontro de Outro Mundo

 

A narrativa seguinte ouvi durante a paralisação dos caminhoneiros. Eu estava na BR-381 em um ônibus coletivo, perto de Betim, quando fiquei parado em um engarrafamento. Oportunamente, a janela do lugar que eu estava, ficou bem ao lado de alguns caminhoneiros que estavam contando casos uns para os outros. E sabe como é. Caminhoneiro é que nem pescador. Suas aventuras pelas estradas do Brasil, proporcionam os mais fantasiosos episódios vividos ou criados por eles. Eu também adoro fantasias. Aliás, nós brasileiros, de maneira geral, adoramos fantasias. Entre algumas aventuras que ouvi daqueles caminhoneiros, durante aquele engarrafamento, esta foi a mais interessante.   

Em 1996 Dorgebildo dirigia um caminhão da Petrobras e estava levando um carga de gasolina na rodovia BR-381. Na altura mais ou menos ali de Três Corações, Minas Gerais, sentiu uma vontade danada de fazer xixi. Não tinha costume de parar o caminhão no meio da estrada e urinar na roda do veículo ou no canteiro da rodovia. Ele conhecia as várias paradas da Fernão Dias, onde poderia atender de maneira decente e civilizada os apelos da natureza. Mas dessa vez, sua bexiga estava impaciente e exigia a imediata libertação do amarelo e quente líquido resultado do trabalho árduo de seus rins.  

Ficou olhando para a beira da estrada e num trecho da Fernão Dias, viu uma mata mais fechada e entrou numa estradinha que cortava a vegetação ao lado da rodovia. Estacionou seu caminhão com o grande logotipo da BR Distribuidora. Dorgebildo era um motorista requintado. Desceu do veículo e foi andando procurando um matinho mais bonito, onde ele pudesse se aliviar esteticamente e refrescar a terra brasilis. Quando escolheu o lugar, abriu o zíper e cumpriu a missão renal. Depois de se certificar que seu peru já tinha pingado tudo, ele tudo colocou de volta no seu devido lugar. E já ia voltando pro caminhão, quando viu no canto de seus olhos uma pessoa.  

Ela estava agachada e encostada em uma árvore. Ao redor dela, uma substância meio gelatinosa e de cor verde radiante, marcava vários pontos da floresta. Parecia um anão de cócoras, com as mãozinhas na cabeça que se mexia devagar pra lá e pra cá. Colocava as mãozinhas na barriga e continuava a balançar a cabeça negativamente. Dorgebildo foi até ao anãozinho, pensando que alguém tinha se perdido na mata e precisava de socorro. Mas quando chegou perto, o espanto. Um ser de olhos enormes, sem nariz, boca pequena, pele marrom brilhando e 3 chifres olhou profundamente para ele e saiu correndo em direção ao caminhão.  

Aquele ser abriu a válvula do caminhão tanque de gasolina e começou a beber o combustível. Dorgebildo estava tão espantado que não podia fazer nada, a não ser observar e torcer para aquela coisa não fazer nada contra ele. A criatura fechou a válvula do tanque e voltou para ele, da mesma maneira como ele se sentiu depois que aliviou sua bexiga. Estava voltando junto a ele, mostrando-se aliviada e levantando as mãos para o céu como quem agradece um milagre.  

A criatura chegou perto de Dorgebildo e em comunicação telepática, disse que o motorista foi enviado por Deus para salvá-lo. E agradecia muito o motorista e o abraçou expressando o que seria um choro humano de felicidade. A criatura depois de não sei quantos pedidos de agradecimento, pediu para que Dorgebildo sentasse. Ele encostou numa árvore e começou a ouvir a desventura da criatura.  

Disse o ser que ele e mais 3 companheiros estavam trabalhando na beira do sistema solar, fazendo uma patrulha para saber se estava tudo bem e se algum atrevido estava quebrando os acordos intergalácticos. De repente, um dos patrulheiros insistiu em ir a Titã, a lua de Saturno. Disse que tinha uma lanchonete lá e que o companheiro estava doido para comer alguma coisa que ele não conseguiu traduzir para a linguagem humana. Ele não concordou, mas os 3 insistiram muito e acabaram tomando o comando da nave e foram para Titã. Chegando lá, comeram os ditos alimentos intergalácticos e até mesmo o nosso extraterrestre bebedor de gasolina petrobratica acabou sendo convencido e comeu com os outros companheiros. 

 Acontece que eles exageraram na comilança e quando voltaram para a nave, começaram a sentir uma má-digestão do tamanho de Júpiter. Pelo que Dorgebildo entendeu, eles precisavam de luz direta de uma estrela para metabolizar o organismo deles. E a luz que simulava os raios da estrela do sistema planetário dele, lá na nave, não tava dando conta da comilança. E o desastre começou, pois começaram a borrar a nave toda de maneira descontrolada. 

 No desespero, decidiram ir para o planeta Terra, onde nossa atmosfera era a que melhor tratava a radiação do nosso sol e onde sabiam que tinha algo que poderia rapidamente curar a má-digestão que sentiam, gasolina. Mas era terminantemente proibido ir para a Terra e os que lá fossem, tinham prisão de 10 mil anos estelares. Entre morrerem defecando geleias satúrnicas verdes e a prisão milenar, decidiram arriscar e ir para a Terra. No desespero de dor, nem programaram a nave para um pulo preciso no planeta. Apenas deram um comando para um pulo no planeta azul e quando eles estivessem dentro da atmosfera do nosso planeta e começassem a se sentir melhor, poderiam procurar um posto de gasolina.  

Aconteceu que a nave pulou de Titã para Terra e pousou logo aonde? Sobre Minas Gerais. As criaturas pousaram a nave, ali próximo onde Dorgebildo estacionou o caminhão. Saíram da nave sentindo cólicas terríveis e cagando toda a mata ao redor. Uma discussão começou entre eles, e o amigo anão de outro mundo que conversava com o nosso brasileiro motorista, disse que ameaçou os outros a procurarem gasolina e que ia denunciá-los ao tribunal intergaláctico, mesmo que aquilo lhe custasse a própria liberdade.  

O anão extraterrestre disse que pediu muito ao deus deles que trouxesse uma solução para aquela situação e  que ele saísse disso tudo com vida. Não demorou muito, Dorgebildo apareceu com o caminhão tanque.  

Dorgebildo disse para aquela criatura que estava feliz em ajudá-la. E quando ia perguntando se já podia ir embora, antes que fosse ele que começasse a se borrar de medo, a criatura olhou de novo profundamente em seus olhos e começou a dizer “eu também gosto, eu também gosto…” Saiu da frente de Dorgebildo correndo, desapareceu num canto da mata e retornou com uns trecos voadores pequenos que começaram a limpar toda cáca do outro mundo ao redor e com outros dois trecos diferentes dos demais.   

Um treco voador apontou para o motorista e o outro para a criatura do outro mundo. De repente, Dorgebildo estava vestido em uma roupa galante dos anos 30 e a criatura com um vestido do mesma época. E começaram a dançar Cheek to Cheek, igualzinho ao filme que Dorgebildo adorava assistir com o avô. Dorgebildo não sabia como conseguia dançar e cantar igual ao Fred Astaire. Apenas dançava e cantava. E a criatura expressava uma alegria que raramente ele viu noutra pessoa como nós.  

Depois que dançaram e as roupas galantes evaporavam, o ser intergaláctico começou a se despedir de Dorgebildo, pegou na mão dele e foram andando para a nave. Quando chegaram em frente dela, o motorista viu que tinha formato de ovo de galinha. Era grande. Talvez uns 15 metros de altura por 15 metros de largura. A criatura disse que nunca mais se esqueceria de Dorgebildo e se virou para entrar nave. Foi quando o motorista perguntou para o novo amigo o que seria dos outros 3 companheiros dele. Ele olhou profundamente para os olhos de Dorgebildo e disse que iria traduzir em uma linguagem bem humana o que pensava sobre os outros. Levantou uma das pequenas mãos com apenas 3 dedos e manteve o maior dos dedos ereto. Disse alguns palavrões também para eles. Piscou um dos grandes olhos para o motorista, sorriu e entrou na nave. O ovo espacial pareceu tremer um pouco e sumiu.  

Dorgebildo voltou para o caminhão, ligou o motor e foi terminar o seu frete. Tinha uma carga a entregar e muitos motoristas do Brasil dependiam daquela gasolina que estava sob sua responsabilidade. Dias depois, enquanto almoçava em um Posto Ipilantra, viu o noticiário na televisão da lanchonete,  dizendo que em Varginha, criaturas estranhas apavoravam a população daquela cidade. Ele continuou a comer como se não soubesse de nada e sentiu saudade daquele outro que salvou a vida.  

Fim. 

Contos alucinantes – Manual de Amorcismo ( Parte 1 )

Parte 1


O gato sobe na mesa e faz um pruuu. Para ele, a longa mesa encostada na parede é uma passarela de vários livros em suportes de leituras. Ele anda pelos livros e começa a mordiscar o de capa amarela com uma mão segurando uma flor. Uma mão se estende até a cabeça do gato e o acaricia. O felino sente o afago e aproveita o máximo do carinho do seu tutor. O gato cinza e branco derruba um livro no chão. Ao perceber o que fez, pula para uma janela de vidro fechada e senta no parapeito, olhando para as pessoas que passam lá embaixo. Seus olhos miram como se já tivesse visto todas as pessoas do mundo.
O homem vê seu gato ir até a janela e fecha um livro que estava lendo, cheio de figuras com estatuetas de uma era antiga, mas que ainda se esconde sob a fina camada dos tempos modernos. Um exemplar do Livro das Horas foi resgatado do piso que estava frio, mas não tanto quanto o frio que estava lá fora. É inverno. Ele coloca o livro ao lado do outro mordiscado pelo gato. O livro amarelo é aberto pelas suas mãos e uma página declara:
“Aquele para quem não existe a outra margem, nem esta margem, ou as margens deste e daquele lado, que é destemido e depreendido -, a este brâmane eu chamo”.
O Dhammapada é fechado. As mãos abrem o Livro das Horas e olhos leem no acaso das páginas:
“ Quando eu chamo, respondei-me…”
O smartphone toca. O homem para de ler e ao ver o nome na tela, se apressa em atender.
– Alô… Sim. Tudo bem. E o senhor… Certo. Posso sim… Qual o nível? O médico está presente na casa? Muito bom… Certo. Isso acelera meu traba… Ok. Tudo bem. Pode enviar para o meu e-mail… Sim, senhor. Farei o que for possível.
De repente, o rosto do homem recebe sua mão pelo rosto com a barba por fazer. Sua face mostra uma ligeira contrariedade. O gato continua a olhar para a janela como um vigia. O homem troca o smartphone de lado do rosto e olha para o notebook. Um e-mail chegou com com um link para uma pasta criptografada em um serviço de armazenamento na nuvem.
– Não sei porque vocês insistem nessa idéia. Gosto de trabalhar sozinho. Onde está aquele…como era o nome dele mesmo… Ah. Isso. Se você lembra o nome dele, deve lembrar também o que aconteceu com ele… É… Espero que esteja melhor… Quem? O senhor está brincando? D. Ezébio que recomendou… – Risinhos escondem um nervosismo crescente no homem que segura o smartphone, enquanto ele abre os arquivos no notebook.
– E o outro? Hum… Certo… Certo… Sim, posso recebe-los, mas eles terão que permanecer sob minhas ordens e tenho direito de dispensá-los… O paciente está em primeiro lugar… Sim… Eu sei… Mas já conversamos sobre isso… Mas são poucos que tem cabeça e estômago para este tipo de trabalho. Não, tudo bem. Vou receber os dois…Certo… Tudo bem. Obrigado…Obrigado. Para o senhor também… Sim. Eu enviarei o relatório com todos os detalhes assim que eu terminar o serviço. Tchau.
O homem desliga o telefone e o deixa ao lado do notebook. Começa a ler na tela sobre o caso. A foto de um jovem rapaz de 16 anos está na tela com outros dados. Lê todo o caso. Existe alguns vídeos e os assiste. Percebe que existe algo novo… Algo que não se enquadra nas dezenas de casos anteriores. Sentiu um ímpeto maior. Assiste os videos novamente. De repente olha para o relógio do sistema e percebe que já se passaram 50 minutos, desde o telefonema. O gato parece pressentir o movimento de seu dono e sai da janela, pula para o chão, faz um puurrr e sai correndo para o quarto.
Uma vida de 56 anos se ergue da cadeira e sai em direção ao banheiro para fazer a barba. Logo as visitas chegarão. É preciso arrumar também os instrumentos do ofício. Antes de chegar ao banheiro, vê seu gato na cama. Olha para ele e o gato devolve o olhar mexendo devagar as pálpebras. Por um momento ele teve a impressão de ter visto as pupilas do gato se contraírem em slow-motion.
Túlio molha o rosto em frente ao espelho que revela suas rugas. Ele sorri para o espelho e vê o mesmo homem de 25 anos atrás. Se lembrou do primeiro caso. Foi em um bairro humilde de Roma. Logo viu que do seu jeito seria bem melhor. Mas quanto problema isso lhe causou. Mas…Os pacientes… Sim, ele chamava de pacientes e não da maneira como aprendeu na escola do vaticano. Os casos eram resolvidos com um sucesso admirável. Um sucesso que lhe custou um processo. Mas hoje, eles é que o procuram e seu método não é questionado.
Metade do rosto livre dos pelos. Quando começa o outro lado, a campainha da porta do apartamento toca. Deve ser as visitas. Vai para a porta e olha pelo olho mágico. Destranca a fechadura e vê duas pessoas em sua frente.
Um homem vestido de preto, blazer e clerical ao lado de um mais jovem de tênis, jeans e camisa casual e jaqueta com uma letra grega pendurada no pescoço. A cena não poderia ser mais díspare. Túlio pede para que entrem no apartamento e ambos passam ao lado de um homem vestido de moleton com uma camisa surrada e com meias nos pés.
-Quem é o pe.Clécio e quem é o Roberto? – Pergunta Túlio.
-Eu sou o Pe. Clécio Pereira, Ordem dos Pregadores. – Responde o homem de preto, estendendo a mão para Túlio que por sua vez limpa a mão na camisa e aperta a do padre. Durante a saudação, Túlio vê que a outra mão do padre segura uma maleta.
-Prazer. E você é o Roberto. Tudo bem? – Falou Túlio apontando o dedo para o jovem que mostrava alguns riscos de suor na testa. O rapaz abriu um sorriso e recebeu a mão do Túlio com as duas mãos. O rapaz parecia um calouro e carregava uma mochila nas costas.
-Sim, eu sou o Roberto. Sou postulante no Convento da Redenção dos Frades Menores. Muito prazer.
-O prazer é todo meu, Roberto. Eu preciso terminar de fazer a barba. Querem água, café…
-Água seria uma boa. – Falou Roberto com um rosto que confessava sua sede, através dos pingos de suor que minavam de sua cabeça.
-Fique a vontade. Pode ir ali na geladeira e sirva-se. – Túlio apontou para a cozinha no estilo americano.
-Eu estou bem assim. Posso me sentar? – Pe.Clécio deu um sorriso sério e falava com os jeitos dos tribunais.
-Ah sim. Claro. Pode se sentar. Não vou demorar. – Enquanto o padre dava as costas para Túlio, ele se sentiu novamente no Vaticano e teve uma péssima sensação. Aquele homem mais atrapalharia do que ajudaria seu próximo paciente. Conhecia bem aquele tipo. Começava a desconfiar o motivo de sua presença. Mas ficou tranquilo, pois afinal de contas, não era funcionário do Vaticano e quem estava no comando era ele. E era ele que estava prestando um favor a D.Ezébio e não o contrário. Olhou para cozinha e viu o jovem terminando de beber o copo d’agua. Já tinha simpatizado com aquele. A situação não era de todo ruim. Talvez D.Leandro tenha enviado alguém que valesse a pena.
Túlio desapareceu pelo corredor e voltou ao banheiro. O padre estava sentando no sofá da sala com as pernas cruzadas e não mostrava muito interesse por Roberto que saiu de trás da cozinha americana, mirando os quadros pendurados na parede. As paredes seguravam cenas estranhas de seres antropomórficos. Outros de aparência terrível pareciam dançar em nuvens negras, outros em fogo. Anjos e demônios em lutas. Homens e mulheres com aros dourados em torno da cabeça a acenar com as mãos para pessoas de aparência retorcida.
Em outra parede da sala viu um homem que parecia com o Túlio em várias fotografias com pessoas de todos os tipos. Pareciam sacerdotes de religiões de toda parte do mundo. Inclusive viu uma foto do próprio Túlio com uma saia gigante em chapéu de pelo, girando com outros vestidos da mesma maneira.
Os olhos de Roberto foram para as estantes de livro e viu algo que chamou sua atenção. Se agachou em um dos móveis e viu uma coleção colorida de HQ’s e Mangás. Conhecia algumas edições e quando tentou puxar um exemplar, ouviu os passos de alguém que aproximava. Sentiu uma vertigem e caiu no chão.
-Ô… Que é isso assim? – O homem estende a mão para o rapaz sentando no chão e meio sem graça. Roberto aceita ajuda e é erguido. Quando se levanta começa a falar
-Seu Túlio. Eu também uma coleção dessas.
-É mesmo? Talvez seu conhecimento literário seja de grande valor para ajudar nosso paciente. Inclusive eu gostaria de fazer algumas observações prévias. – Neste momento, Túlio e Roberto notaram o pe.Clécio que estava na cozinha cuspindo alguma coisa e lavava a boca na pia.
-Algum problema, pe.Clécio?
-Este café… Parece tinta de caneta… – O padre continuava a levar água para a boca.
-Embaixo…Aí no armário… Tem um um bule e filtro. Você pode fazer seu próprio café se quiser.
-Não…Tudo bem. – O padre continua a lavar a boca. Túlio e Roberto se olham como se entendessem toda a situação. O padre ajeita sua roupa e confere o clerical em um espelho da cozinha e retorna para a sala, onde os outros dois o aguarda. O homem de preto chega perto deles, fazendo um barulho com seus sapatos que incomodariam o teto do inferno.
-Muito bem. A primeira coisa é que vocês precisam usar isso aqui. – Túlio tira de uma sacola duas fraldas geriátricas. – Vocês podem ir lá no banheiro se vestir. Mas por favor não demorem.
-Roberto olha para as fraldas desconcertado e pe.Clécio expressa uma indignação que lhe abre os poros.
-Perdoe-me a franqueza, mas eu não vou vestir isso. É algum tipo de brincadeira? Por que se for eu considero isso algo muito desrespeitoso.
-Pois então, o senhor perdoe a minha franqueza, caro pe.Clécio, de lembrar-lhe que eu sou o doutor aqui. E sei muito bem que tipo de trabalho é este e o que pode acontecer. Se o senhor não quer vestir, o problema é seu. Mas em outras situações ou o senhor obedece as minhas recomendações ou vou pedir que deixe-me conduzir o meu trabalho sem me ocupar com sua presença. Quantas vezes o senhor fez este tipo de trabalho?
-Será minha primeira vez. Acabei de terminar o curso pela pontifícia universidade de Santo Afonso de Ligório. – Falou o padre que tentou conter sua raiva com o orgulho de sua formação e impor respeito a Tulio, apontando para um lugar que ele conhecia muito bem.
-Meus parabéns. Então você vai me fazer um favor. Enquanto você estiver comigo, jogue fora todos os manuais e todo aquele teatro que você aprendeu lá. É do meu jeito ou o senhor esta dispensado.
O padre cerrou um pouco seus olhos e balançou vagarosamente a cabeça para Túlio. Queria utilizar todo o direito canônico contra o homem bem na sua frente que estava vestido de calças jeans, blusa branca, jaqueta e tênis azul listrado nos pés com um boné e óculos esportivos. Mas sabia que aquilo não teria nenhum efeito sobre ele. E o próprio Euzébio pediu para ele paciência diante da ousadia e petulância do excomungado “doutor das almas”.

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