As poesias de Ferreira Gullar

Uma vez assisti uma entrevista com o Ferreira Gullar, onde ele explicava como se tornou comunista em seus tempos de juventude. Quando estava em Brasília, ele teve a oportunidade de ler um manual de um sacerdote católico que condenava o comunismo.

Se não me engano, Gullar dizia que o livro foi dividido em duas partes: uma com o Manifesto Comunista e do outro a contra-argumentação do padre contra Marx. Simultaneamente, uma página reproduzia as teses do manifesto e na outra a antítese feita pelo sacerdote. Disse o poeta que não teve dúvidas sobre a apologia do padre e se tornou comunista.

Ainda hoje, quando assisto na televisão ou leio qualquer condenação apaixonante sobre qualquer idéia ou pessoa, lembro dessa história de Ferreira Gullar. Geralmente, o alvo dos discursos inflamantes e ameaças, tem razão e algo valioso a ser entendido.

Para os apressados, aviso que este post não é uma defesa comunista. Mas nem tão pouco quero engrossar as filas de ultranacionalistas de direita e até mesmo de esquerda. Apenas encontrei uma bela oportunidade de registrar em meu blog trechos dos poemas do Ferreira Gullar.

Teu coração

esse mínimo pulsar dentro da Via Láctea,

em meio a tempestades solares,

quando se deterá?

Não o sabes pois a natureza ama se ocultar.

E é melhor que não o saibas

para que seja por mais tempo doce em

teu rosto a brisa deste dia

e continues a executar sem partitura

a sinfonia do verão como parte que

és dessa orquestra regida pelo sol.