Sobre a manifestação dos caminhoneiros

Imagino que muitos estão surpresos com a o impacto da manifestação dos brasileiros caminhoneiros, já que não imaginavam que suas reivindicações ganhariam a solidariedade de vários grupos que formam a nossa sociedade.

Foi uma manifestação feita sem o uso de métodos populacheiros . Foi uma manifestação popular memorável e mostrando que quando o povo – não o populacho – quer ser senhor da construção do destino da nação, o povo assim o pode.

Acredito que os administradores de nosso Estado verdadeiramente saíram de sua zona de conforto. Eles estão sendo pressionados a ceder às autênticas e nobres necessidades dos nossos queridos profissionais do transporte rodoviário.

Somente a solidariedade entre todos os brasileiros e a tomada de consciência do poder da cidadania, podem realmente purificar e fortalecer nossa democracia. A manifestação dos caminhoneiros poderia muito bem caber em uma dessas matérias oferecidas por alguns doutores acadêmicos. Certamente o estudo deste evento, seria muito mais útil e honesto do que certas matérias que tem por objetivo a hipnose politiqueira dos menos experientes.

Uma eleição nos aguarda no final do ano. Vamos manter estes últimos dias na memória como guia para escolha dos novos representantes que irão decidir os rumos de nosso país em 2019. Quem sabe aparece um corajoso que proponha e saiba fazer o aumento e restauração das ferrovias e também de hidrovias.

O mundo fanático e supremo dos ciberbobs

Falando sério agora. Pessoal fica inventando coisas mirabolantes, quando deviam olhar para a História e aprender com ela. Eu não quero parecer contra inovações, muito pelo contrário, sou ansioso por elas. Torço por novas descobertas, o bom uso da tecnologia e um mundo plural de muitas escolhas. Porque a liberdade se fundamenta na possibilidade de escolher.

Mas existe gente que prega uma desvinculação absoluta com a História para que o novo possar surgir com toda a sua potência. Evitam ser escolásticos, mas se tornam inovadores da repeticão quando ignoraram a História, pensando que trazem novidades. Acho bonita aquela frase de Newton que todo mundo conhece, “…apoiado sobre os ombros de gigantes”. Existe uma verdade nisso. Apesar de que alguém poderia questionar em qual destes gigantes, vamos subir. Por exemplo, eu não gostaria de subir nos ombros de um Torquemada ( risos ). E, puxa vida! O que tem de torquemada ciberpunk libertário inovador por aí, não é brincadeira. Alias, já tenho um Baseado de Fatos Reais sobre isso. Eita divaguei. Voltemos.

Essas novas abordagens quase que religiosas sobre a compreensão da realidade, quando se tornam absolutas, são repetidoras dos mesmos excessos e erros de antepassados tão veementes acusados de tirania.

Quando eu tomo meu café pela manhã e vou trabalhar, saio de mente aberta tentando compreender o que sempre esteve presente e nunca tinha notado. Isto é encantador. Não é isso o que cientistas profissionais fazem? A capacidade de compreender e explicar nosso mundo, não seria uma boa referência para todos os leigos? Meu entendimento sobre metodologia científica é rasa, mas garanto minha capacidade de manter a mente aberta e ouvir os que entendem. Pelo menos algo de um bom cientista eu tenho. E é algo fundamental e imprescindível. Esforço-me em não ser anacrônico e nem absoluto. E isto é encantador.

Pensar que o encantamento vem tão somente das mitologias, teologias e fantasias é engano. Saiba que o astrônomo que compreende os mistérios de uma estrela ou o biólogo que assiste um micróbio no microscópio, também eles têm encantamento. Um encanto que não é exclusivo dos altares, mas parece estar se ausentando deles. E ocorre que o cientista pode também mergulhar no mundo da mitologia, teologia e fantasia. Assim como religiosos poderiam considerar teses científicas. Nada os impede. Essa permuta seria boa para todos. É uma questão de discernimento. Mas tenho que admitir que sou um idealista. Como já escrevi em outra oportunidade, cada um tende a viver em seus próprios carrosséis.

Quando eu assisti em um jornal televiso, um grupo de ateus reunidos e celebrando a convivência entre cantos, discursos e risos como em um igreja qualquer, vi a prova de necessidades inerentes e básicas dos seres humanos. Uma necessidade antiga e que com o passar do tempo, apenas vai mudando de forma. Aquelas pessoas estavam encantadas. E acho maravilhoso que qualquer ideologia possa atrair as pessoas para uma convivência sadia e feliz e que entenda a necessidade das diferenças. Porque foi assim que a natureza quis.

Não fui eu que diagnosticou o desencantamento pós-moderno e uma necessidade urgente de novas mitologias ou um “remake” das antigas que eduquem a humanidade a se integrar consigo mesma e com o seu mundo. Eu penso que a ficcão tem papel preponderante, mas deve proporcionar uma liberdade que nos permita nos aproximar mais da Ciência e não nos alienar dela.  Leiam Joseph Campbell e aquele sociólogo de nome complicado, o Zygmunt Bauman.

É preciso a integracão e não o fanatismo de idéias simulacras absolutas e exclusivistas. E estou apontando o dedo para você, fanático cibernético que pensa que descobriu os segredos do universo e precisa espalhar essa mensagem mesmo que seja por meio da manipulação e até mesmo violência. Claro que anexo a esta mensagem de vocês, está escondido aquele tesão de ter poder sobre as pessoas. O discurso de libertação de vocês é tão relativo quanto o daqueles outros que vocês acusam como os opressores da humanidade. Essencialmente, nada vejo em vocês além de velhos esquemas de dominação. Mas devo admitir que vocês vêm conseguido a adesão dos que não tiveram a oportunidade de desenvolver uma capacidade crítica. E estes, somente no nosso país, são milhões. A máquina ideológica de vocês é desencantadora e falha em quem aprendeu a pensar. Vocês usam as mesmas táticas de seus adversários. E no final das contas, é apenas uma questão de qual lado escolher.

É uma máxima que somos produtos de nosso tempo e espaço. E caímos na armadilha que esse tempo e espaço são sempre os melhores. O ciclo sempre se repete e de maneira geral, repetimos as lições como o menino que sempre repete de ano.

Eu sou um crente de deuses sem formas. E eles não se importam sobre o que penso sobre eles, mas sim como tenho pensado sobre mim e os meus semelhantes e como ter uma relação equilibrada com o mundo. Interessa-me mais os homens pensando sobre deuses do que o contrário. Minhas idéias são particulares. Até oferto, mas não vendo como a melhor solução do mundo. E nem quero suprimir a de outrem. Não sou tão tolo assim para ser pretensioso.