Custo da Travessia: dois centavos

Existe a “estória do  homem que praticou durante quarenta anos como atravessar o rio Ganges a pé, por cima das águas; e tendo afinal alcançado seu fito, foi censurado pelo seu Santo Guru, que disse: “Você é um grande tolo. Todos os seus vizinhos atravessam o Ganges diariamente por dois centavos”.

De algum livro que não serve para nada, a não ser pesar nas estantes de desocupados.

 

O Livro de Jô Uma Autobiografia Desautorizada – Volume 1

Li o último livro do Jô Soares que faz um relato sobre sua vida pessoal e artística. Além de ser um registro histórico de um dos mais talentosos artistas brasileiros, a narrativa é divertida e terna. Arrisco em dizer que deve ter milhares de pessoas lendo a autobiografia do Jô Soares, curiosos em saber sobre a vida íntima daquele que tanto nos divertiu em programas de humor e em seus últimos trabalhos como entrevistador.

Mas pra falar a verdade, eu só fiz este post pra… Peraí, lembrei de uma coisa. Depois volto nesse assunto.

Eu fui no cinema assistir Star Wars: Os Últimos Jedi, e, como disse no Twitter, 3 máquinas de fritar ficaram fazendo o maior barulho no cinema. Não sou de ir ao cinema, mas o filme valia a pena a ida. Pelo menos, eu já fui sabendo que a possibilidade do já referido evento ocorrer. Então, dias depois, estava eu em uma profunda ociosidade, quando aparece um espectro em uma aura verde, vestido de Jedi. Reconheci de cara a pessoa pelas risadinhas descaradas. Era o Costinha. Aí intimei: ” Valeu viu. Você foi bacana. Deixou aqueles caras na maior zueira lá, a diversão foi subtraída em 34%.” O Costinha Jedi respondeu: ” Meu filho, era aquelas 3 torradeiras ou o Seu Com Licença do Jô Soares ( somente quem leu o livro a autobiografia dele vai entender). O que você preferia?” Apenas respondi com um tudo bem, tudo bem…obrigado, obrigado e ele desapareceu fazendo aquele buonnn com a boca.

Voltando. Este post é na verdade uma desculpa para escrever sobre um filme surreal com a participação do Jô Soares. Vi a entrevista dele no Conversa com Bial e durante a entrevista mostram um Jô Soares com peruca, com o rosto pintado, revoltado diante de uma televisão em um filme preto-e-branco. O Jô Soares diz que é o filme mais incompreendido do cinema nacional, Hitler 3º Mundo. Achei a entrevista muito interessante e pensei em comprar o livro quando estivesse num valor que eu pudesse comprar. O que a Amazon fez com a versão digital do livro.

Então, depois que termino de ler o livro, vem uma série de fotos do Jô Soares e, entre as fotos, uma com ele como Samurai da cena do filme que vi na entrevista. Veio a ideia de procurar o filme no Youtube. E realmente estava lá o filme para assistir. Mais de 1 hora durante a madrugada, assistindo entre sentimentos confusos, pois não sabia se o filme era para rir ou para pensar. Permiti a mim fazer pensar e rir. Um clássico que mostra cenas daquela parte pobre do Brasil que na década de 60 era muito pior do que agora. Para mim é um filme enigmático, inteligente, cômico, dramático e trágico. Tem algo de Quentin Tarantino, Seth MacFarlane e Francis Ford Coppola, tudo misturado e autêntico.

Eu fiz uma edição do Hitler 3º mundo, apenas com a participação do Jô Soares. Sem o Samurai que ele interpreta, não sei se o filme seria tão interessante e cômico como é. Em uma linguagem moderna, se o filme fosse seriado, um spin-off do Samurai faria o maior sucesso. Abaixo segue o video. Atenção: tem uma cena de nudez. Em 17m40s é como me relaciono com a minha televisão.

A Gruta de São João Batista – Shimon Gibson

Terminei de ler um livro muito, muito interessante:  “A Gruta de São João Batista” de Shimon Gibson.

Este livro trata sobre a descoberta de uma gruta próximo de Ain Karim, a oeste de Jerusalém –  se diz que neste lugar João Batista nasceu – , onde a equipe do autor que é arqueólogo, encontrou vestígios de um antigo ritual que envolvia o uso de água. Um destes vestígios é a imagem riscada em uma parede de um homem que poderia representar o João Batista dos evangelhos canônicos. E o que dizer também de uma rocha dentro da gruta, onde o fulano colava o pé para ser “benzido”.

O autor faz toda uma descrição de como descobriu a gruta, o processo de escavação e como justifica a gruta sendo a que era usada por discípulos de João. Também seus estudos seguem sobre como seriam os ritos acontecidos no local, além de avançar sobre a vida do pregador, sua relação com Jesus e o que aconteceu depois de sua decapitação. E a leitura irá conduzir o leitor também a outros lugares e tempos relacionados ao culto de João Batista e seus ritos.

Não é um livro religioso. Mas Shimon transmite simpatia ao leitor ao opinar sobre os rituais de batismo, fundamentando-se em seu senso de pesquisador. Pelo menos foi o que senti durante a leitura.

O livro mostra o quão João Batista foi importante e o quanto seu papel foi diminuído nos evangelhos canônicos para que Jesus ficasse em cena. Os religiosos podem pensar sobre isso com naturalidade, já que foram educados para pensar dessa maneira. Mas a reflexão proposta pelo autor do livro, faz nos considerar sobre as relações de poder que sempre existem em todos os setores da vida. Algumas perguntas incômodas podem vir ao leitor religioso, durante a leitura. Mas se estiver de mente aberta, as respostas podem contribuir para a sua espiritualidade. Mas repito, o livro não faz nenhuma proposta espiritual ou religiosa. É escrito por um cientista arqueólogo que descreve sua entusiasmante descoberta.

A Gruta de São João Batista é um livro que destaca e restaura a memória de um personagem bíblico importante e que foi especialmente cultuado nos primeiros séculos da era cristã.  Particularmente, meu interesse neste livro foi mais sobre o que João Batista representou do que sua historicidade. O estudo sobre o dito profeta pode trazer muito esclarecimento sobre assuntos relacionados.

Tem ilustrações? Teeem! Tem fotozinhas? Teeem! Um livro que tem seu lugar na estante para estudiosos interessados ou praticantes do cristianismo. Tem um tom acadêmico, mas escreve com desenvoltura para qualquer leitor. E deixa no final do livro um bibliografia extensa. Eu gostei demais.

Deus Reconhecerá os Seus: A História Secreta dos Cátaros – Maria Nazareth Alvim de Barros

 

Eu tenho um interesse aguçado sobre as doutrinas fora da ortodoxia cristã. Uma em especial, o catarismo, tem sido motivo de minhas leituras atualmente.

Eu comprei o livro “Deus Reconhecerá os Seus: A História Secreta dos Cátaros” da autora Maria Nazareth Alvim de Barros que faz um relato histórico e muito sério sobre esta doutrina considerada herética.

A narrativa é densa e em algumas passagens pode se tornar cansativa. Mas está cheia de informações sobre os dissidentes e o drama de seu desaparecimento violento pela Igreja Católica da época. Particularmente, eu considerei o livro um pouco triste, pois você vai percebendo que os cátaros tinham uma doutrina de muita tolerância e de sinceras intenções espirituais. Uma doutrina que tinha em si alguns aspectos do cristianismo primitivo e que poderia elucidar muitas dúvidas sobre a própria pessoa de Jesus.

Meu pensamento quanto a eles está longe de considerações sobre se estavam certos ou errados, quanto sua prática teológica. Mas sim numa alternativa de viver o cristianismo. Mesmo com todas as ameaças para quem aderisse, inclusive ameaça de morte, esta doutrina conseguia cativar milhares de pessoas.

O cenário do livro acontece no século XII, sul da França, nos territórios conhecidos como Midi e Occitânia.  A atual Catalunha também abrigou muitos cátaros. Interessante também notar que estas mesmas regiões tinham uma riqueza econômica e diversidade cultural muito grande.

Eu comprei o meu exemplar em um sebo. Não sei se você vai encontrar em alguma livraria por aí. Foi um pouco caro, mas uma ótima aquisição para consultas futuras. A autora prestou um grande serviço para os leitores de língua portuguesa.

Livros: Os Templários – Michael Haag

Nos últimos meses, entre tantos outros assuntos, tenho dedicado meu tempo sobre os templários. Aqueles cavaleiros medievais que todo mundo já deve ter ouvido falar, geralmente por causa da lenda do Graal e outros mistérios que os envolve.

Gostei muito deste livro, Os Templários: História e Mito. Um dos motivos de meu elogio sobre o livro é que ele tem uma linguagem muito acessível para qualquer pessoa. O autor, Michael Haag, começa com a história do Templo de Salomão e segue até a nossa época, mostrando como os míticos e místicos cavaleiros foram revividos como fenômenos do mundo da arte, através dos romances, filmes, músicas e até games sobre eles. Foi interessante saber que o aclamado Star Wars, teve originalmente pelos seus roteiristas, a idéia de batizar os heróis defensores do universo de Templários Jedi.

Além de todos aqueles mistérios e acusações de heresias que pairam sobre a cabeça dos cavaleiros da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, o fato é que eles exerceram uma grande influência na Idade Média nos campos militar, da ciência, tecnologia, economia e espiritualidade. O final trágico que tiveram com as torturas e martírios na fogueira é o resultado do poder que conquistaram e pela assimilação e tolerância sincrética que praticavam.

É um livro que vale a pena a leitura e tem ilustrações em preto-e-branco se você é do tipo que se cansa rápido com tantas letrinhas ( risos ). Meu exemplar eu comprei na Amazon. E você pode ir direto para a vitrine da loja com o livro, clicando aqui.

Ainda hoje, muitos grupos se consideram herdeiros dos templários, provando que de uma maneira ou de outra, eles continuam presentes em nossa era.