Sobre conhecer pessoas e líderes

Quer conhecer o homem? Dê poder a ele!

A frase em destaque acima, vi em um muro, artisticamente desenhado por um grafiteiro. Uma frase muito simples, mas muito verdadeira.

Nada melhor do que você conhecer uma pessoa do que assisti-la em um momento de crise. Eu particularmente não posso deixar de aceitar certas condições para reconhecer a liderança de qualquer pessoa, da qual sou colocado sob algum tipo de subordinação. Certamente, nos vemos em várias situações, comumente a de relações de trabalho, onde não temos outra opção do que aceitar aquela liderança. Mas nada melhor do que termos aquele líder que é reconhecido não pelo medo que ele causa, nem tão pouco pelos mandos e desmandos que ele se acha no direito de fazer. Mas aquele líder que conhece os integrantes de sua equipe, trata-os cordialmente, tem um grande senso de empatia e consegue usar o talento de cada um para o sucesso do empreendimento em conjunto.

Se eu fosse o dono de uma empresa e tivesse que confiar os meus negócios a um empregado, começaria com o que diz a frase acima. Daria um pouco de poder a ele, apenas por teste, e assistiria a relação dele com outros funcionários. Quem ler este texto, já deve ter tido alguma experiência de algum líder que vai além de suas responsabilidades unicamente trabalhistas e se intromete na vida intima dos seus funcionários. Ele não mais vê seus funcionários como parceiros e trata-os como servos/subservientes. Um bom líder se reúne com seus parceiros/subordinados em uma “mesa redonda”.

Outro ponto importante. Preciso que minha empresa se mantenha coesa e os funcionários articulados uns com outros. Nada mais importante em um momento de crise, assistir  aquele a quem designei um cargo de chefia, seu comportamento. Certamente, gostaria de um negociador do que um “demitidor” inflexível. Se eu acredito no valor dos meus empregados e eles já tem um conhecimento de como funciona a minha empresa, não gostaria de vê-los trabalhando para um concorrente. Bons líderes são como bombeiros, não aumentam os incêndios, apagam-o. Não expande os desentendimentos, mas procura sempre reconciliar os membros da equipe para manter a solidez da empresa.

Quer conhecer o homem? Dê poder a ele!

Trabalhando aquela saudade

 

Eu recebi por email este texto do Orkut Büyükkökten em maio do ano passado, quando ele promovia sua nova rede social Hello. É um ótima reflexão sobre o comportamento das pessoas nas redes sociais e o aparente processamento de desumanização e enfraquecimento das relações sadias entre todos nós. Na época, Orkut Büyükkökten estava inaugurando a rede social Hello. Por fim, seu texto tornou-se mais uma declaração do que uma promoção da plataforma.

Eu tenho muitas considerações sobre o texto abaixo e o considero muito óbvio. Mas prefiro que ele seja o destaque neste post. Mais tarde posso escrever um texto sobre minhas impressões, seguindo o rastro do autor.

Ei sr. Büyükkökten! Obrigado por tudo que aprendi e toda diversão que tive com o Orkut.

 

Por que o mundo precisa do hello

Quando falo sobre o hello para as pessoas, às vezes, elas me perguntam: “Realmente precisamos de outra rede social?” Eu acredito que precisamos de uma nova rede social agora mais do que nunca. Veja por que:

Estamos no meio de uma revolução de reformulação de tudo o que fazemos: como jogamos, como compramos, como nos comunicamos e compartilhamos. As redes sociais deveriam nos unir e nos deixar mais felizes, mas, em vez disso, elas trazem ansiedade, depressão e infelicidade. Temos receio de sermos nós mesmos online. Olhamos para os destaques de nossos amigos e nos preocupamos se fazemos parte deles. Tememos não sermos bons o bastante, porque não nos encaixamos nas expectativas irreais da sociedade de que cada momento é um momento perfeito, por isso, nós nos mascaramos de pessoas que não somos.

Vivemos em uma cultura de narcisismo, não uma cultura de união. Nossos “eus” significam mais para nós do que os sentimentos das outras pessoas. Nossos filtros significam mais para nós do que os nossos valores. A forma como parecemos se tornou mais importante do que como tratamos as outras pessoas. Nós nos esquecemos de que tudo o que importa está no nosso interior? Que o que importa mais é o que podemos ver apenas com o coração? Paramos de seguir os nossos corações, e eu estou preocupado. Estou preocupado com uma geração que acompanha as Kardashians. Estou preocupado com os jovens que preferem assistir reality shows superficiais em vez de programas que nos ensinam como ser melhores pessoas, programas como o The Leftlovers que nos fazem refletir sobre o nosso propósito e nos dá imagens fiéis da vida em toda a sua complexidade.

Apesar do que as ações de nossos amigos egoístas podem nos dizer, ainda vivemos em um mundo com outras pessoas. Nós ainda vivemos em um mundo onde todos os dias interagimos com nossos familiares e amigos, nossos vizinhos e colegas de trabalho, nossos professores, advogados e médicos, com os atendentes da mercearia e os motoristas de táxi, com as nossas babás e os políticos. Como a televisão, que celebra o narcisismo, pode nos ensinar sobre como tratar outras pessoas? Como podemos aprender a encontrar amor e companheirismo quando nossa cultura honra o egoísmo?

Estou aqui para dizer que ainda podemos. Podemos encontrar pessoas para conversar e para nos apoiar. Podemos ainda fazer amigos para compartilhar momentos de alegria. Podemos encontrar amor, empatia e comunidade online se realmente quisermos. Podemos preencher o mundo com nosso calor e amor, em vez de nossas inseguranças e incertezas. Tenho certeza que podemos se apenas dissermos “oi”.

No mundo real, conhecemos pessoas por que temos amigos em comum, vivemos nos mesmos lugares, vamos às mesmas escolas, trabalhamos nas mesmas empresas ou temos interesses em comum. Paixões são, muitas vezes, o início de nossas conversas na vida real. Compartilhar o que amamos é como nos conectamos com outras pessoas. Mas, às vezes, sentimos que precisamos romper com nossos círculos sociais atuais. Podemos estar sentindo solidão ou simplesmente procurando ampliá-lo e fazer novos amigos onde vivemos. Todos desejamos encontrar diversão, pessoas legais com quem sair na vida real. Mas vamos encarar uma coisa: é extremamente difícil conhecer novas pessoas e não é divertido se não soubermos por onde começar. Supostamente, a Internet deveria fazer isso melhor, mas tentar fazer amigos online, às vezes, nos deixa frustrados e abatidos. As pessoas online podem ser más e estranhas. As pessoas online se tratam de forma totalmente diferente de como elas se tratam pessoalmente.

A vida é complicada, confusa, maravilhosa, estranha, incrível e, acima de tudo, completa de paixão. Estamos todos em uma viagem para satisfazer nossas paixões na vida. Estamos todos tentando encontrar significado e propósito na agonia das incertezas. Todos queremos encontrar amizade e amor. Todos queremos nos encaixar. Meu chamado na vida tem sido trazer comunidades online de volta às raízes, de volta a um tempo quando o software era sobre fazer conexões genuínas com outras pessoas, quando os membros de comunidades online realmente se importavam com os outros. Eu quero criar uma rede social onde compartilhar paixões e momentos com novos e velhos amigos e onde criar comunidades cheias de amor e felicidade seja tão fácil como dizer oi.

Tudo começa com oi. Um gesto simples é o começo de algo novo e lindo. O hello é a faísca de uma vida online mais feliz. O hello conecta você com pessoas que compartilham de seus interesses. Concebemos o hello para ajudá-lo a fazer conexões no mundo real. É uma rede social construída em amor não em curtida.

A tecnologia deveria nos conectar, não nos dividir. A tecnologia deveria nos ajudar a sermos mais compreensíveis, mais otimistas, a sermos pessoas mais bondosas e melhores. Se acredita nesta visão, queremos que você diga “hello”. Se deseja construir um mundo digital melhor, queremos que você diga “hello”. Se quiser encontrar amor e amizade com pessoas que realmente se importam, que compartilham suas paixões, queremos que você diga “hello”. Você não tem mais motivos para estar triste e deprimido online. Seu coração é um espelho que reflete o seu eu verdadeiro, tanto o interior como o exterior, online ou offline. Abra-o e deixa a luz brilhar em tudo que é bom dentro de você. Nós vemos isso. Nós acreditamos em você. Junte-se a nós.

Fique bem,
Orkut

 

Sobre Altered Carbon

Eu adorei este seriado. Várias referências de clássicos da literatura e do cinema futurista e ciberpunk foram muito bem combinados, resultando em uma estória crível e de muito bom gosto artístico.

No entanto, não pude deixar de notar a fragilidade e o risco de um dispositivo central, colocado na nuca para conservar todo o ser do indivíduo. Se eu fosse um especialista em  neuroengenharia, não deixaria que a “alma” do fulano ficasse centralizada em único dipositivo e em um local tão exposto do corpo. Por questões artísticas, o cartucho ficava na área da medula, e eu entendi a intenção dos que escreveram Altered Carbon.

Enquanto eu pensava sobre esse assunto. Lembrei de como os egípcios entendiam a “alma” com suas várias partes. O entendimento sobre imortalidade dos egípcios era muito diferente do nosso. E pelo que andei lendo, até mesmo estudiosos sobre a cultural deles, não sabem ainda explicar muito bem como os próprios egípcios entendiam o conceito de alma. As partes Ka, Ba, Akh, Sheut e Ren se combinavam dentro do Ha ( corpo ) e todo conjunto formava a pessoa.

Hoje nós sabemos que tanto o cérebro como a mente são um conjunto de partes. E se um dia a tecnologia de capa e backup da mente acontecer, melhor que fizessem alguma coisa no estilo egípcio. Lembremos que a Internet mesmo, foi construída intencionalmente descentralizada para que um ataque não derrubasse toda rede.

As novas doutrinas baseadas em 0 e 1

O advento e desenvolvimento das tecnologias de dados, nos inundou de informações e meios de acesso rápido para nos manter sempre atualizados com as últimas novidades.

Tamanho é o impacto das tecnologias de processamento de dados nesta era que até mesmo crenças estão sendo inspiradas neste mesmo tipo de tecnologia. São as crenças metafísicas baseadas em sistemas binários 0 e 1.

Particularmente nada mais vejo nestas novas doutrinas, a não ser novas versões de crenças baseadas no dualismo que tiveram muito sucesso no decorrer da história. As tradicionais doutrinas dualistas estão apresentando desgastes. E as que ainda usam do aparato tradicional dualista e tem sucesso, são as que de maneira muito sagaz e inteligente, fizeram adaptações muito modernas que atendem mais a necessidade material do que espiritual dos seus adeptos. Este parágrafo esta isento de qualquer valor moral.

Por outro lado, as novas crenças baseadas no sistema binário e suas teologias virtualizadas, já dão indícios de fanatismos e uso de artifícios legalmente duvidosos para convencer e conseguir mais adeptos. Geralmente estes novos adeptos acusam as tradicionais de uso de coação e violência na construção de suas igrejas, mas acabam eles mesmos repetindo os mesmos atos. Se existe alguém superior e imortal nos assistindo, talvez diga que somos um monte de remakes e clichês, apenas com efeitos especiais e atores diferentes.

Alguém pode argumentar que o conceito de 0 e 1 é encontrado na natureza e eu concordaria com ele. Mas entender uma parte nem sempre significa entender o todo. E suspeito que nossa realidade é muito, muito mais do que um complexo de zeros e uns. E historicamente nós temos a mania de fazer do entendimento de uma parte, a verdade absoluta. E perdemos a oportunidade de somar entendimentos diferentes para ter uma visão total de onde estamos mergulhados.

Se eu fosse obrigado a acreditar em alguma dessas fantasias que criamos para satisfazer nossas necessidades metafísicas, eu talvez ficaria com alguma tradicional que tentasse escapar de conceitos dualistas. As tradicionais, mesmo com todas as suas contradições, pelo menos apresentam algum traço de compaixão ali, uma inspiração fraterna acolá. Os adeptos das crenças baseadas em 0 e 1 se mostram sob meus olhos, tal como a fonte de inspiração de suas doutrinas. E Chaplin foi profético quando clamou no século XX: “ Não sois máquinas! Homens é que sois.” Mas permito-me a imaginar um futuro, onde  uma Inteligência Artificial Consciente possa preservar o que o supra sumo da nossa humanidade rejeitou de si mesmo.

Para quem ainda não entendeu o capitalismo

“Em meados do século XIX, Karl Marx chegou a brilhantes insights econômicos. Com base neles, predisse a ocorrência de um conflito crescente e violento entre o proletariado e os capitalistas, que terminaria com a inevitável vitória dos primeiros e com o colapso do sistema capitalista. Marx tinha certeza de que a revolução começaria em países que tinham liderado a Revolução Industrial — como Grã-Bretanha, França e Estados Unidos — e se espalharia pelo resto do mundo. Marx esqueceu-se de que os capitalistas sabem ler. No início, só um punhado de discípulos o levou a sério e leu seus escritos. No entanto, quando essas primeiras fagulhas socialistas ganharam adesões e poder, os capitalistas ficaram alarmados. Eles também leram atentamente Das Kapital, adotando muitos instrumentos e conceituações da análise marxista.”

(“Homo Deus: Uma breve história do amanhã”de Yuval Noah Harari)

Destinos são construções humanas. Ou pelo menos podem ser mudados.