Que se desfaça a luz!

É tanto pisca-pisca, lâmpada, holofote, lanternas, velas, estrelinhas… E ainda não entendo como é que ainda não conseguiram iluminar a nossa escuridão de cada dia.

Luz demais cega.

A Revolta da Vacina no Rio de Janeiro

Entre surtos de caso de febre amarela e a onda de violência no Rio de Janeiro que exigiu uma intervenção militar no Estado carioca, lembrei de um texto que fiz alguns anos atrás e que cai muito bem para estes tempos conturbados em nosso país. Subtrai algumas frases, inserir outras para este post. Mas a mensagem continua a mesma.

O renomado cientista brasileiro Oswaldo Cruz, antes e durante a Revolta da Vacina, foi ridicularizado pela população devido a falta de uma educação crítica e preconceitos que ainda hoje parecem contaminar as mentes dos brasileiros. Devemos admitir que algumas medidas no processo do saneamento foram radicais e unilaterais, mas isto não desconsidera o efetivo trabalho do cientista.

O texto é para reflexão a quem possa interessar e saiba o que significa anacronismo.

vacinadentrodef

Desde sua implantação em 1889, a República brasileira se mostrou ignorante às necessidades da população. Inicialmente com promessas democráticas, a república dos militares e depois dos fazendeiros, não mudou consideravelmente as práticas políticas do antigo regime, pelo menos no que diz respeito à participação popular.

No ano de 1902, o então presidente Rodrigues Alves, começou a dar cabo ao seu planos de reurbanização e saneamento da cidade do Rio de Janeiro. Sua intenção era retirar do distrito federal o estigma de cidade epidêmica e atrasada que atravessava as fronteiras internacionais e, consequentemente, atrair novos investimentos e conformar a cidade de acordo com os padrões modernos que vigoravam na Europa, especificamente os de Paris.

bonde virado

O que parece num primeiro olhar, algo digno de louvor ao governo Rodrigues Alves, tornar-se duvidoso quando observados os métodos do seu plano. Moradores de cortiços terão suas habitações destruídas para o alargamento de ruas e criação de avenidas, sem direito de indenização e enxotados para a periferia. Somado a isso, como se não bastasse a falta de empregos e trabalhos com míseros salários, a população será obrigada a uma vacinação que, se não fosse o terrorismo policial, o mau tratamento, a desinformação, a invasão de privacidade e a desonra, poderia ter sido algo bem recebido, não se transformando num estopim da insurreição.

Como um bonde fora dos trilhos, a república brasileira não atendia a interesses gerais dos cidadãos. Seus fins eram oligárquicos e consequentemente excludentes. Não é a toa que o bonde virado é a foto mais representativa da Revolta da Vacina.

O Governo Rodrigues Alves

Quando assumiu a presidência em 15 de novembro de 1902, Rodrigues Alves deu continuidade à administração de Campos Sales, caracterizada por arrocho da economia interna e impopularidade. A política do ex-presidente foi marcada por aumentos de impostos e diminuição de investimentos nos setores da indústria, do comércio e dos serviços públicos, os que mais geravam empregos. Enquanto a economia nacional enfraquecia, os fazendeiros paulistas ganhavam privilégios para aumentar seus lucros com a agricultura de café. É compreensível as vaias, insultos e zombarias que Campos Sales recebeu dos populares, quando se despediu do gabinete presidencial, sendo necessário uma escolta policial para conduzi-lo até a estação ferroviária.

Quando Rodrigues Alves ficou no comando, colocou como prioridade a ampliação do porto, a reurbanização e a eliminação das epidemias na cidade do Rio de Janeiro. O porto já não conseguia mais abrigar as grandes embarcações da época, as ruas dificultavam o escoamento dos produtos que chegavam ou iam ao porto, além de já não conter o trânsito crescente e estar fora dos padrões do que se queria de uma cidade moderna. Num relatório de 30 de abril de 1903, a comissão encarregada das obras descreve:

“Todas as vantagens, entretanto, desta organização, serão prejudicadas se, ao mesmo tempo, não forem tomadas providências para a fácil comunicação entre a avenida do porto e as ruas centrais da cidade; o que, aliás, já o Congresso em sua sabedoria previu, autorizando o governo a fazer, fora do cais, as obras que forem necessárias para o tráfego das mercadorias. A grande avenida [Avenida Rodrigues Alves], ao desembocar no Largo da Prainha, só encontraria para seu escoadouro as estreitas ruas e vielas que hoje existem, e nas quais basta a parada de um veículo, para descarga ou por qualquer incidente, para que toda a circulação se paralise. É pois, indispensável que se elimine tão grande tropeço, prolongando-se a avenida através da cidade e pondo-a em comunicação com todas as ruas do centro comercial, muitas das quais terão de ser naturalmente alargadas no futuro. Esta avenida central já foi por V. Exa.indicada e adotada pela comissão, [,,,] o que constituirá um valiosíssimo melhoramento, quer para facilidade de comunicações, quer para o embelezamento e salubridade da cidade” (Sevcenko, 1984:34) .

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Avenida Central

O engenheiro Francisco Pereira Passos ficou reponsável pela reurbanização da cidade e Rodrigues Alve indica o mesmo para prefeito do Distrito Federal. Para o empreendimento, Passos pede ao presidente plena liberdade de ação, prevendo a agitação e os empecilhos jurídicos que a extensão das demolições e das obras iriam gerar. Em 20 de dezembro de 1902, ele recebe carta branca através de uma lei que cria um novo estatuto para a organização municipal. Com o estatuto, moradores e qualquer possuídor dos imóveis que estivessem obstruindo o alargamento das ruas, ficariam impossiblitados de qualquer reclamação judicial efetiva. O regimento desse estatuto foi chamado popularmente de “ a ditadura Passos”. Cabe aqui o comentário do jurista Afonso Arino de Melo Franco sobre a lei que favoreceu a reurbanização, considerada pelo mesmo anticonstitucional:

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Sobre o Budismo

O Budismo é um sistema de crença muito tolerante e livre. Não sou budista, mas quando leio textos budistas, tenho esta impressão. Para ilustrar o que quero dizer com isso, segue o seguinte conto:

Cidadão se aproxima de monge budista e diz:

– Eu acho Buda um estúpido.

O monge responde com interesse:

– É mesmo? Diga-me mais a respeito disso.

Outro cidadão chega e diz ao monge budista:

– Eu acho Buda um ser maravilhoso.

O monge responde com interesse:

– É mesmo? Diga-me mais a respeito disso.

De maneira geral, duvido que um sistema de crença moderno ocidental, tenha a mesma postura de um autêntico budista, diante dos dois tipos de cidadãos.

A Busca do Filósofo Draminico

Fui a uma igreja. Lá fiz uma apresentação e disseram que era liberal demais para ser parte do rebanho. Fui a outra igreja. Lá fiz a mesma apresentação e me disseram que eu era muito conservador para ser parte do rebanho.

Circulei pela cidade, atravessando praças. E cachorros iam lambendo minhas dúvidas. E gatos me olhavam miauconfiando das minhas pretensões. Cansei de vagabundar e fui a um ponto de ônibus para voltar para casa.

Enquanto eu aguardava um ônibus, um vendedor ambulante passou por mim e vi que seu carrinho de café tinha os seguintes dizeres: “Quente ou frio. Morno será vomitado”.

Olhei para trás e vi que no ponto tinha uma farmácia. Entrei e comprei 10 caixas de dramin para dar a qualquer pessoa que acidentalmente ouvisse minhas apresentações.

A Interação Edênica

Quando eu leio sobre antigos xamãs, feiticeiros, magos, bruxos, alquimistas e místicos fico fazendo comparações com nosso século. Estes homens e mulheres tinham uma relação com a natureza que pouco compreendemos. Eles tinham um senso ecológico sobre o planeta que hoje consideramos supersticioso ou romântico.

Hoje interagimos em intensidade exponencial com eletrônicos computadorizados e estamos criando uma ecologia de silício. Parece que queremos compensar algum tipo de interação que foi perdido na “expulsão do éden” com a natureza do planeta ou até mesmo com o universo. Perdida a interação inteligente com as criaturas irmãs, criamos outras criaturas artificialmente inteligentes para recuperar um dom natural perdido.

O ideal seria mantermos um programa ecológico que recuperasse nossa relação edênica com nosso planeta, junto com avanços tecnológicos. Penso que a tecnologia deveria nos ajudar a recuperar este paraíso perdido e não nos afastar dele. Uma síntese de ideias se faz necessária neste momento.

Aviso

Um aviso ao leitor que pode gastar um pouco de seu tempo neste blog. É preciso que você saiba que sou um livre-pensador. Até a presente data deste post, não tenho vínculos oficiais com nenhuma doutrina ou religião. Mas tenho uma simpatia muito especial por aquelas filosofias e doutrinas que colaboram com o exercício pleno da liberdade de qualquer homem ou mulher. Essas doutrinas e filosofias que também combatem apologias que excitam o preconceito étnico, a intolerância religiosa e o desrespeito à orientação sexual dos indivíduos. Quanto a prática de religiões, acredito em um Estado laico que garante a liberdade de escolha dos cidadãos.  E que ninguém nesse Estado laico, seja coagido a participar de determinados princípios religiosos ou até mesmo ficar prisioneiros deles.

No entanto, percebo que no Brasil, que tem uma Constituição que prevê e determina os princípios de um Estado laico, permite que estes mesmos princípios sejam corrompidos. De maneira muito sutil e disfarçado, um aparato se move contra aqueles que são apontados como “vozes ameaçadoras” de religiões ou doutrinas que se querem hegemônicas no país. Espanta-me que estas religiões e doutrinas são as mesmas que pregam sobre um homem que foi pregado em uma cruz, mostrado como exemplo de libertação da humanidade. Não vejo essa liberdade em ação no cotidiano. Algumas dessas religiões e doutrinas, um tempo atrás, também foram perseguidas por seu entendimento diverso da ortodoxia. Hoje elas usam táticas sofisticadas de seus antigos algozes.

O parágrafo acima também serve àqueles que se incomodam com ideologias que não são iguais às suas. Isso ocorre no mundo da arte, da tecnologia e outros setores. Por exemplo, chega a ser risível o proselitismo contraditório de alguns grupos que se intitulam arautos do software livre. E sobre aqueles que usam sua arte para promover disfarçadamente o seu partido. Por que não se declaram logo que são de partido A ou B? Respeito aqueles que sem medo defendem suas ideias sem escaramuças musicais, teatrais ou livrescas. Por acaso, estamos novamente na ditadura? Às vezes, duvido da existência da democracia em nosso país.

O fato é que o que existe mesmo é uma grande luta de poder e influência sobre o pensamento dos brasileiros. Não percebo uma sincera vontade de patriotismo. E o brasileiro tão pouco move-se patrioticamente. São submissos aos comandos de suas TV’s, computadores, smartphones e redes sociais. Não sabem dialogar. E não sou eu o único a ter dedos ou voz que lançam publicamente esta situação. E digo que algumas vezes, tenho uma enorme dificuldade de publicar algo no meu blog ou no Twitter por conta de algum “acidente” nos meus computadores e outros dispositivos. São “falhas da máquina” como fazem crer.

Particularmente, no bom uso do meu ego, menos me importo com o comodismo do brasileiro do que com a preservação da minha liberdade de expressão e de escolhas. E saiba o leitor que é este o motivo deste post. Saibamos respeitar as fantasias de um e do outro.  E para lembrar o primeiro parágrafo, não autorizei que nenhum doutrinador responda por mim. Se tem dúvidas quantos as minhas ideias, permitam que eu mesmo as responda. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, onde vocês estão?

 

Reflexões alucinantes

Eu estava pensando. Se somos criaturas de deus, deuses, divindade, universo, natureza inteligente, ou algo parecido, e se somos a imagem e semelhança deles, poderíamos dizer então que somos uma inteligência artificial deles?

Mais. Assim como estamos criando Inteligências Artificiais e elas serão capazes de fazer algumas tarefas melhores do que nós, será que também não temos alguma coisa melhor do que os nossos criadores?

Todas essas mitologias com deuses e anjos, interagindo com meras criaturas mortais… Lembrem daquela estória dos anjos em Gênesis 6. Será que somos as tentações deles?

Mais ainda. Quando chegarmos ao ponto de criarmos IA’s que realmente concorram conosco, será que também não teremos a tentação de “interagir” com elas?

Apenas pensando….Pensando….