Baseado de contos mitológicos – O mundo é dos Brahmas

Diz-se que houve dois momentos decisivos na vida de Sidarta Gautama. A primeira foi quando ele saiu dos muros de seus palácios em busca das nobres verdades. E a outra foi quando se levantou debaixo da árvore bodhi e foi transmitir o Dharma. Tive acesso a escrituras antigas, escritas em sânscritos e traduzidas por um velho monge que me contou sobre o que realmente aconteceu no dia em que Sidarta, já como Buda, foi ao encontro de outras criaturas e transmitiu o seu conhecimento.

Brahma apareceu para Buda lá na árvore Bodhi. E tinha ficado um aeon sem beber para se apresentar bem diante de Sidarta. E Buda estava em posição de lótus em extâse por ter alcançado a iluminação, quando ouve um “pssssssssss…. psssssssssssss… psssssssssssssssssssssssssssssssssss….” Ao levantar os olhos, Buda viu que era Brahma que começou a falar

– Rapaz…Você é o cara. Você conseguiu. Eu não tava acreditando. Hehe… Você é demais. Olha, eu bato palmas.

Buda não disse nada e apenas ficou olhando. Aí Brahma voltou com o lero-lero e a bajulação.

É o seguinte, meu lindo… Eu, Eu… Quando construi esse mundo que você tá aí, cometi alguns errinhos…ehehe…Nada sério. Dá pra consertar em tempo. Mas o Shiva tá pegando no meu pé e ele é perfeccionista. Se o mundo não estiver do jeito que ele quer, ele sai tacando o fogo em tudo sem dó. Aí todo mundo tá lascado, inclusive a gente. Então, eu pensei comigo aqui. Ó, agora o magnânimo Sidarta, virado na iluminação e tal… Será que ele não poderia ajudar aí nos reparos?

Buda não disse nada e ficou apenas olhando para os trejeitos descompassados de Brahma. Apenas tocou com uma das mãos o chão. Neste instante ele começou a viajar no tempo. E viu vários eventos do passado, do presente e do futuro no mundo que estava. Ele viu um meteoro caindo sobre a terra, destruindo seres e fazendo viver outros e não se comoveu. Viu o primeiro humano falando “bugá-bugá” e desenhando sua primeira obra de arte em uma caverna, mas não se comoveu. Viu Zigurates e Pirâmides sendo construidas, mas não se comoveu. Viu a biblioteca de Alexandria pegando fogo, mas não se comoveu. Viu o genocídio em Cartago, nas Guerras Púnicas, mas não se comoveu. Viu a queda de Constantinopla, mas não se comoveu. Viu a construção da primeira máquina a vapor e não se comoveu. Viu a carnificina de duas guerras mundiais e não se comoveu. Viu a fissão nuclear sendo feitas pelos homens, mas não se comoveu.

Brahma que estava ali de cima, olhando para Buda começou a se preocupar. Uma das suas quatro cabeças começou a verter suor e começou a tremer devido a tensão e abstinência de cerveja. Pensou consigo:  – Por OM! Um aeon! Um aeon! Mais de 4 bilhões de anos sem tomar “uma” pra nada… nada. Seus olhos começaram a marejar.

Foi aí que Buda viu a construção de Brasília e ele se comoveu. Movido pela compaixão se levantou e disse para Brahma: “Tudo bem.” E começou a caminhar para longe.

Brahma ficou com os olhos arregalados, não acreditando que conseguiu. Voltou correndo pra aquela pipa cósmica que fica pendurada pelo umbigo mal curado do dorminhoco Vishnu. Chegando lá, se tremendo todo de abstinência, pegou um binóculo e deu uma olhada no horizonte de eventos cósmicos. E viu as outras versões de Brahmas. O Brahma 73095873980540135 estava recebendo um baita de um esporro do Shiva, que tacava fogo no mundo do Brahma 73095873980540135 por este não não ter conseguido alcançar as metas da qualidade cósmica. E aos gritos, mandou Brahma 73095873980540135 fazer tudo de novo. Isso iria custar 27 aeons para o irmão desarvorado, pensou consigo.

Nosso Brahma não ia passar por aquilo. Não mesmo. Ele seria o próximo a ser fiscalizado por Shiva. Deu um f***-C e tomou logo umas 80 cervejas de uma só vez. Estendeu seus 4 braços e colocou nos seus 20 dedos as cordas que controla o mundo que construiu e ficou quem nem uma mulher rendeira. Totalmente embriagado, totalmente embriagado…

Shiva chegou junto e Brahma todo mansinho e macio falou um” Oooommm” pra ele.

– OM! Vai mostrando logo esse mundo aí que já tô invocado com você tem uns 100 Aeons – Falou o Shiva com voz grossa e determinada em gritos –  O 73095873980540135 disse que viu você dando inteligência para uma das criaturas. Isso é verdade?

– Não senhor, é mentira. E não grita assim desse jeito não, se não vai acorda Vishnu. Tô vendo que o senhor tá stressado e cansado. Eu peço pra dona Lakshmi fazer um suco de maracujá, vai te fazer bem. O 73095873980540135 tá é com inveja. Ele não consegue gerenciar a porcaria do mundo dele e vem falar do meu. Sabe muito bem como é este povo aí.

– Não fale desse jeito, seu bêbado. – Shiva repreende Brahma, apontando um dedo na cara dele. Olha para baixo e vê dona Lakshmi, alisando os pés de Vishnu.

-Tudo bem com a senhora? Não precisa fazer nada, tô meio com pressa. Vishnu tem sonhado bem?  Dona Lakshmi apenas acena com a cabeça afirmativamente para Shiva. O deus com olhos de fogo voltou a encarar para Brahma e foi ríspido.

Deixa eu ver logo isso aí, Brahma 4073189557496547 meia mole, meia dura. Tenho tempo pra suas enrolações, não. – Então, Shiva passou uns aeonzinhos, observando Brahma controlando o mundo com as cordas, totalmente embriagado, totalmente embriagado…

– Bom. Meus parabéns. Está tudo indo bem. Incrível! Agora preciso ir fiscalizar outros Brahmas. Apenas pare de beber, OK? Muito OM pra você, tchau. – E saiu Shiva montado em um meteoro cheio de luzes azuis e vermelhas piscando, balançando toda matéria escura ao redor de si, numa velocidade quântica.

Quando Shiva saiu do horizonte de eventos cósmico, Brahma tirou todas as cordas de seus dedos, ligeiro e exasperado. Abriu mais uma cervejas e ficou em sua pipa, boiando na matéria escura, curtindo todas aqueles estrelinhas que saíam de sua cabeça azul e que pocavam nas galáxias, totalmente embriagado, totalmente embriagado…

Dona Lakshmi, agora aliviada com o fim da visita de Shiva, fala com ele lá de baixo.

-Como é que consegue mentir assim. Que teatro. Que teatro…

-Mas deu certo. Foi ou não foi? Como sempre. É só deixar que umas dessas criaturas se iluminem que dá tudo certo. – Bhrama piscou um dos olhos para dona Lakshimi.

A verdade é que Brahma fez um encenação e escondeu de Shiva os seres inteligentes que ele criou para que gerissem seus próprios mundos. Assim podia ficar livre daquelas cordas e ficar só assistindo e tomando cerveja, usando o universo como televisão.

-Mas Brahma. E se esses seres começarem a pensar que são deuses e, pior de tudo, se tornarem como um de nós. Nós seremos condenados para sempre e Shiva nunca mais vai deixar você fazer um universozinho sequer. – Falou dona Lakshimi, alisando os pés de Vishnu que até babava de tanto sonhar.

-Não tem problema. Eu chamo eles pra tomar umas cervejas e tudo termina em pizza. E já tô chamando um desses devas pra mandar uma das minhas cervejas para Brahma 73095873980540135. O coitado deve tá desconsolado. Vou ensinar pra ele minhas manhas. E você vai ver, dona Lakshimi. Minha moda vai pegar que nem vírus.

FIM

Nota de esclarecimento: O autor do conto é abstêmio e não se responsabiliza pela incapacidade de interpretação do leitor.

Baseado de fatos reais 4 – Simulacros de maquinações

Um dia desses eu estava em uma fila e aí recebi uma ligação de um amigo. Conversa vai, conversa vem, de repente falei para ele que no final da noite eu iria jogar Cities: Skylines. Ele me perguntou o que era e eu falei que era um simulador de cidades.

Pra que eu fui falar simulador. Um senhora de mais ou menos 60 anos, deu um tremedeira bem na minha frente e um chiliquizinho. Se virou para mim e ficou me olhando com aquele semblante de D. Bela da Escolinha do Professor Raimundo. Dei uma olhada geral na fila e percebi que as outras mulheres das mais jovens até as de meia idade, estavam mordendo os lábios úmidos. E os homens com aquele olhar de “hoje tem.”

Eu fiquei olhando pra direção da porta, já pronto pra sair correndo. Sou anti-social e não sou chegado em uma suruba. É algo pessoal, tentem me entender.

Outro dia também, em uma situação muito parecida, o caixa eletrônico começou a dar “erro de leitura”. Eu falei que era culpa da máquina. Rapaz, pra quê? O que foi de gente olhando desesperando pros lados, como se tivesse entrado um ladrão e que ia ter tiroteio a qualquer momento. Fiquei com tanto medo que cancelei a operação e deixei pra outro dia. Eu apenas sei que ainda continuo a não entender nada.

Enfim, eu ainda prefiro a ingenuidade fantasiosa dos antigos com seus deuses antropomórficos, aventuras olimpianas e redentoras. A supremacia do hermetismo do século XXI está longe de minha capacidade de processamento.

Baseado de fatos reais 3 – A Entrevista de Emprego

Entrevistadora: Qual seu nome?

Cidadão: Macacamente.

Entrevistadora: Cidade onde mora?

Cidadão: Salvador.

Entrevistadora: Qual o nome do bairro?

Cidadão: Kabullying.

Entrevistadora começa a gargalhar. Cidadão continua sério diante dela.

Cidadão: Minha vida é uma Bagunça.

Entrevistadora cai no chão e bate a cabeça de de tanto rir e a SAMU é chamada.

O cidadão levanta-se e procura outra agência de emprego.

Fim.

Einstein e Niels Bohr – A Viagem Alquímica

Hehehe…Ontem eu acabei de ler um livro escrito pelo Neil deGrasse. Quando eu vi essa figura em um dicionário, tive umas viagens nada a ver com o livro.

Amanhã estarei arrependido de ter postado isso. Mas aí será tarde demais. Eu… Eu tenho alguns problemas.

Baseado de fatos reais 2 – As Temíveis Ultramodernas Fábricas de Chocolate

Eu ainda prefiro chocolate como era feito antigamente. Adoro clássicos.

Vivi anos aguardando este momento. Sem tanta paciência, não teria conseguido. Foi um pouco chato.

Mas como a galerinha jovem diz por aí: ” Entendedores, entenderão.”

Koan Boburazul – 0 e 1

Um repórter foi até um mosteiro budista entrevistar um sábio monge. Pretendia escrever um artigo sobre os desafios da religião na pós-modernidade.
Chegando lá, fez a seguinte pergunta ao seguidor de Sidarta.
– O que o Buda faria diante dessa nova Samsara de 0 e 1 que criamos?
O monge se sentou e virou para a parede.
O repórter ficou olhando para as costas do monge, sacudiu os ombros dele, mas o monge continuava na mesma postura.
Sentido-se ultrajado, ele voltou para agência de notícias e escreveu um contundente artigo sobre a falta de sensibilidade das religiões diante do novo panorama mundial.  Sua matéria foi premiada e ganhou o prêmio Pulitzer.
Fim.