Metódo de Trabalho – Mário Quintana

Mário Quintana ocioso.
Mário Quintana ocioso.

– Não sei pensar a máquina. Escrevo, isto é, faço o meu trabalho criativo primeiramente a lápis. Depois, com o queixo apoiado na mão esquerda, repasso tudo a máquina com um dedo só.

– Mas isto não custa muito?

– Custar custa, mas dura mais.

Poemas alucinantes – Muros urinados

Na patina de muros urinados, descriptografei mensagens de amores perdidos.

Os  ditadores de alegria monofisista com suas iniciações e honras para Braúlio. Gonorrentos de machismos atemporais, pinchavam os muros de palavras em gritos ácidos.

Freud teve seus motivos ao analisar estes psicopintos. Por culpa deles, o austríaco de charuto circuncidado diria: a humanidade é movida por freuda.

Os muros de Tróia choravam de longe a corrupção infligida a seus primos. E os tijolos apoiados pelos ombros companheiros, choravam dizendo: antes fossem destruídos como seremos. Voltemos ao pó e, quem sabe, novos tijolos daquele muro seremos e mudemos.

As minhas luvas sujas pelo pus amarelo. As ferramentas gastas pelo desespero ansioso da elucidação.  Versos, então,  raspados de códigos horrendos, rodearam minha cabeça que foi tombada, enfim, por um deus louco que inspirou este poema devaneio.

Poemas alucinantes – Me Pituba

Na praia da Pituba cabeças despirocadas se aglutinam. Dedos socam murros de zap zap em axé music de rotina estridente.
Caravelas pisoteadas, as vinganças ardidas nos pés dormentes. Queria eu que minha mãe Iemanjá, me levasse para longe desses novos e admiráveis crentes.

Poemas Alucinantes – O beco de Paris

Juntei moedas aposentadas de sonhos. E na idade de 74 anos, fui a Paris.

Fugindo de luzes comuns, entrei em um beco que cheirava a absinto 1864.  No beco, uma lâmpada brilhava a mesa de napoleões. Eles estavam apostando seus fígados envenenados por mercúrio em um jogo de cartas.

Ao voltar para casa, pendurei meu espanto em um porta-retrato. Prometi, desde então, nunca mais fazer uma viagem além de 10Km de Creta.

Poemas alucinantes – A Agonia do Dantesco

O verão chegou e a minha ânsia por infernos gelados e sopros de gelatina sabor Virgílio, desfalece minha alma em 32º de cantos.

Ó grande Spheniscidae, dai-me a força do superman e o cristal. Conduz teu servo para o teu reino antártico, onde jorra raspadinhas de gelo com leite e mel.