A fadiga de um shih tzu

Descabelado e cansado a ponto de dormir de língua pra fora. Eis o meu shih tzu, após ouvir 463 horas de análise política e mesmo assim não entender nada.

Poemas alucinantes – As Mastabas

Nas mastabas são enterrados, lá no fundo do chão.

Por favor, não se esqueçam, depois da mumificação, curar um scardevelho do meu coração.

A Busca do Filósofo Draminico

Fui a uma igreja. Lá fiz uma apresentação e disseram que era liberal demais para ser parte do rebanho. Fui a outra igreja. Lá fiz a mesma apresentação e me disseram que eu era muito conservador para ser parte do rebanho.

Circulei pela cidade, atravessando praças. E cachorros iam lambendo minhas dúvidas. E gatos me olhavam miauconfiando das minhas pretensões. Cansei de vagabundar e fui a um ponto de ônibus para voltar para casa.

Enquanto eu aguardava um ônibus, um vendedor ambulante passou por mim e vi que seu carrinho de café tinha os seguintes dizeres: “Quente ou frio. Morno será vomitado”.

Olhei para trás e vi que no ponto tinha uma farmácia. Entrei e comprei 10 caixas de dramin para dar a qualquer pessoa que acidentalmente ouvisse minhas apresentações.

A Interação Edênica

Quando eu leio sobre antigos xamãs, feiticeiros, magos, bruxos, alquimistas e místicos fico fazendo comparações com nosso século. Estes homens e mulheres tinham uma relação com a natureza que pouco compreendemos. Eles tinham um senso ecológico sobre o planeta que hoje consideramos supersticioso ou romântico.

Hoje interagimos em intensidade exponencial com eletrônicos computadorizados e estamos criando uma ecologia de silício. Parece que queremos compensar algum tipo de interação que foi perdido na “expulsão do éden” com a natureza do planeta ou até mesmo com o universo. Perdida a interação inteligente com as criaturas irmãs, criamos outras criaturas artificialmente inteligentes para recuperar um dom natural perdido.

O ideal seria mantermos um programa ecológico que recuperasse nossa relação edênica com nosso planeta, junto com avanços tecnológicos. Penso que a tecnologia deveria nos ajudar a recuperar este paraíso perdido e não nos afastar dele. Uma síntese de ideias se faz necessária neste momento.

Poema alucinante – O Velho Eldorado

“Eu moro sozinho e cozinho em um forno sempre paracelso entre 1493 e 1541 graus. Nós sábados, eu cozinho Jean-Paul Sartre, embebido em um Kierkegaard 1813. Depois deste almoço, a minha sobremesa era um manjar de Nietzsche. Mas com o passar do tempo, comecei a enjoar do sabor bigode realista. Hoje um pedaço de pão com pasta de amendoim me basta.”

Ouvi esse velho na estação de metrô eldorado. Intrometido, nem pediu licença aos meus ouvidos. Suas lorotas não ganharam meus olhos que flechavam um relógio marcando 15 romanos para 3 sebastiões da tarde em 20/01/1991.

E agora que tenho a idade daquele velho, não sei cozinhar um ovo frito. E encomendo pizzas que não entendo o sabor.

No Vapor do Evangelho

João Batista e Jesus, ainda meninos, discutiam sobre a melhor forma de marcar os seus discípulos com a doutrina que estavam bolando juntos.

– É com água, Jesus.

– É com fogo, João.

– Tem que ser com água, Jesus.

– É com fogo, João.

– ÁGUAAAAAA!!!

– FOGOOOO!!!

João Batista que era mais temperamental, deu um safanão na cabeça de Jesus que não deixou por menos e caiu por cima do primo. Os dois ficaram rolando no chão, brigando e empoeirando as túnicas. De repente, um velho desce do céu em uma biga dourada.

O velho nem esperou as rodas da biga tocar o chão, foi logo pulando e correu em direção dos dois meninos. Com as mãos pegou cada um pelo cangote e foi pra um canto onde tinha algumas rochas. Se sentou na maior e colocou cada um em outras menores.

– Shalom, João.

– Shalom, vô Elias.

– Shalom, Jesus.

– Shalom, vovô.

Então Elias começou a contar aos meninos a história de 1Reis 18. E os meninos adoraram quando chegou em vv.30-38. E se assustaram com o terror de vv.40. Mas tranquilizou os meninos dizendo que, lá em cima,  tava todo mundo tomando cerveja no bar de Mikael.

– Então não briguem mais. Fogo ou água, não importa. O importante é o evangelho. Usem as duas coisas. Assim não tem briga. Tudo bem, assim? – Os meninos responderam com a cabeça afirmativamente. E Elias subiu na biga e saiu virado no relâmpago de volta pro céu.

João e Jesus ficaram envergonhados um com outro por terem brigado por besteira. Pois eles se gostavam muito. Jesus estava desenhando alguma coisa na areia, quando perguntou para João.

– Tô com sede, João. Você me dá agua? – O sol estava muito quente.

Lá vai o João todo feliz para uma rocha, onde brotava torrente de água com uma cumbuquinha na mão. Encheu a cumbuca de água e serviu todo feliz para o primo.

Jesus bebeu a água e se sentiu refrescado. E agradeceu não sei quantas vezes a João. Quando devolveu a cubuca para o primo, viu que ele estava contendo risos.

– Gostou da água, Jesus? Com água a gente vai longe – disse João que saiu em disparada gargalhando.

Jesus ficou pé-da-vida e saiu correndo atrás de João que foi se esconder em uma gruta.

FIM!