Baseado de fatos reais 4 – Simulacros de maquinações

Um dia desses eu estava em uma fila e aí recebi uma ligação de um amigo. Conversa vai, conversa vem, de repente falei para ele que no final da noite eu iria jogar Cities: Skylines. Ele me perguntou o que era e eu falei que era um simulador de cidades.

Pra que eu fui falar simulador. Um senhora de mais ou menos 60 anos, deu um tremedeira bem na minha frente e um chiliquizinho. Se virou para mim e ficou me olhando com aquele semblante de D. Bela da Escolinha do Professor Raimundo. Dei uma olhada geral na fila e percebi que as outras mulheres das mais jovens até as de meia idade, estavam mordendo os lábios úmidos. E os homens com aquele olhar de “hoje tem.”

Eu fiquei olhando pra direção da porta, já pronto pra sair correndo. Sou anti-social e não sou chegado em uma suruba. É algo pessoal, tentem me entender.

Outro dia também, em uma situação muito parecida, o caixa eletrônico começou a dar “erro de leitura”. Eu falei que era culpa da máquina. Rapaz, pra quê? O que foi de gente olhando desesperando pros lados, como se tivesse entrado um ladrão e que ia ter tiroteio a qualquer momento. Fiquei com tanto medo que cancelei a operação e deixei pra outro dia. Eu apenas sei que ainda continuo a não entender nada.

Enfim, eu ainda prefiro a ingenuidade fantasiosa dos antigos com seus deuses antropomórficos, aventuras olimpianas e redentoras. A supremacia do hermetismo do século XXI está longe de minha capacidade de processamento.

Resenha – Quando a noite cai – Carina Rissi

http://amzn.to/2ypI5fU
Briana
é uma jovem desastrada e sonhadora. Sonhadora no sentido literal da palavra,
pois todas as noites ela sonha com a Irlanda de 400 anos atrás com seus
castelos, princesa e um guerreiro de tirar o fôlego.
Por
causa dos desastres que provoca por onde passa, ela não consegue se manter em
nenhum emprego, até conhecer Gael, seu futuro chefe que para sua surpresa é
idêntico ao guerreiro irlandês de seus sonhos.
A
partir de então, Briana vai tentar descobrir o que Gael e o irlandês de seus
sonhos tem em comum.
A
autora nos brinda com uma história 2 em 1, pois ela intercala a história
principal do livro com a história dos sonhos de Briana e nos deixa ansiosos
para descobrir o desfecho delas a cada virada de página. 
Para
quem gosta de romances de fantasia, este livro é uma boa pedida. Minha única
crítica é que eu acho que houve um pouco de exagero nas partes de
“desastrices” de Briana, mas nada que atrapalhasse o enredo em si.
Mais
um livro de Carina Rissi para começar a ler e não querer parar.



Você pode comprar pela Amazon ou Livraria Cultura.

Resenha: Deuses Americanos – Neil Gaiman

http://amzn.to/2g7x2xc

 

Eu não leio livro de fantasia com muita frequência, mas é o tipo de literatura que me agrada. No caso de Deuses Americanos, a leitura foi prazerosa.
Neil Gaiman consegue nesse romance adaptar conceitos mitológicos, herméticos e ocultos em uma narrativa moderna e urbana. Achei que mais do que a estória em si, a maneira como o autor tece os elementos da narrativa, revivendo deuses e adaptando práticas e idéias herméticas antigas em uma liguagem cotidiana foi o que mais me atraiu.
Este tipo de talento se faz muito necessário, pois está evidente que a espiritualidade ocidental, ainda não se adequou aos novos tempos. Apesar de suspeitar que Neil Gaiman não tem a intenção direta de fazer qualquer tipo de de atualização neste assunto. Mas no final das contas ele e outros artistas do mesmo segmento, acabam ajudando com a arte atender as necessidades metafísicas que desde os primórdios e ainda hoje todos nós sempre precisamos. Ouso a dizer que alguns artistas se antecipam aos cientistas, cabendo a estes últimos confirmar as idéias dos primeiros de acordo com as metodologias e experimentações que lhe são próprias.

A ficção permite que nos esgueiremos para dentro dessas cabeças, desses outros lugares, e olhemos por outros olhos. 
– Deuses Americanos

 

O protagonista da estória, Shadow, e sua contra parte, Wednasday, podem representar todos aqueles que começaram sua busca por uma transcedência e maturação do próprio ser. E o legal é que você acompanha a trajetória de Shadow, um cara de carne e osso em momentos de força e fraqueza, raiva e amor, determinação e confusão, trilhando um caminho de descoberta sobre si mesmo e sua função em toda estória. E isto em situações e cenários que poderiam ser com qualquer um de nós.
Eu aprecio muito estas narrativas, onde os personagens não seguem aquele modelo clássico e bem limitado do mocinho e vilão. Neil Gaiman aponta a dualidade volátil de coisas boas e ruins que existe em todos nós, encarnando os deuses com suas habilidades extraordinárias e com suas virtudes e vícios. Isso é bom, pois traz ao leitor aquele prazer da surpresa e imprevisibilidade em uma boa estória.

Que caminho você deseja seguir: o das verdades difíceis ou o das belas mentiras?
– Deuses Americanos

Um livro muito bom. Eu comprei a versão ebook na Amazon. Valeu a pena. Para
o leitor curioso, o livro pode conduzir a outras leituras pesquisando
sobre os nomes dos personagens, lugares e contos que formam o romance.Eu também assisti o primeiro episódio do seriado que tem o mesmo nome do livro, mas não gostei muito. O velho  ditado, né. “O livro é melhor do que o filme”. Mas achei excelente aquela conversa do Wednesday com o Shadow no avião em turbulência. Faz a gente pensar.