Livros: Os Templários – Michael Haag

Nos últimos meses, entre tantos outros assuntos, tenho dedicado meu tempo sobre os templários. Aqueles cavaleiros medievais que todo mundo já deve ter ouvido falar, geralmente por causa da lenda do Graal e outros mistérios que os envolve.

Gostei muito deste livro, Os Templários: História e Mito. Um dos motivos de meu elogio sobre o livro é que ele tem uma linguagem muito acessível para qualquer pessoa. O autor, Michael Haag, começa com a história do Templo de Salomão e segue até a nossa época, mostrando como os míticos e místicos cavaleiros foram revividos como fenômenos do mundo da arte, através dos romances, filmes, músicas e até games sobre eles. Foi interessante saber que o aclamado Star Wars, teve originalmente pelos seus roteiristas, a idéia de batizar os heróis defensores do universo de Templários Jedi.

Além de todos aqueles mistérios e acusações de heresias que pairam sobre a cabeça dos cavaleiros da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, o fato é que eles exerceram uma grande influência na Idade Média nos campos militar, da ciência, tecnologia, economia e espiritualidade. O final trágico que tiveram com as torturas e martírios na fogueira é o resultado do poder que conquistaram e pela assimilação e tolerância sincrética que praticavam.

É um livro que vale a pena a leitura e tem ilustrações em preto-e-branco se você é do tipo que se cansa rápido com tantas letrinhas ( risos ). Meu exemplar eu comprei na Amazon. E você pode ir direto para a vitrine da loja com o livro, clicando aqui.

Ainda hoje, muitos grupos se consideram herdeiros dos templários, provando que de uma maneira ou de outra, eles continuam presentes em nossa era.

Revista Resgate da Memória – 04

http://www.bv2dejulho.ba.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=437:resgate-04-salvador&catid=32:resgate-da-memoria
Em comemoração aos 466 anos da fundação da cidade de Salvador, a revista Resgate da Memória nº4 está apresentando artigos muito interessantes sobre a primeira capital do país.
Em alguns links é possível ver fotos antigas da cidade e mapas. Uma ótima oportunidade para quem quer conhecer mais profundamente sobre a história de Salvador. Para acessar a revista clique aqui.

Resenha: O Físico – Noah Gordon

A estória de O Físico começa na Inglaterra medieval do século XI. A narrativa é centrada no personagem Rob Cole que tem um dom extraordinário: ao tocar as mãos de uma pessoa doente, sabe se ela vai morrer em breve. Esse dom vai levá-lo ao Oriente em uma viagem de muitas aventuras. Mas não sem antes,  aprender as artes de saltibanco e de cirurgião-barbeiro com seu protetor, Barber.
O autor coloca em cena a cultura islâmica e a avançada medicina desenvolvida na Pérsia. Interessante também o olhar que Noah Gordon lança para a situação e os costumes da comunidade judaica na época , tolerada e indesejada tanto pelos cristãos  como pelo muçulmanos. Os judeus são a ponte de Rob Cole para o mundo árabe e com eles aprende o idioma persa. Atenção para o filosofo Ibn Sina, figura histórica que no romance será o mestre de Rob.
Na minha opinião a estória é demasiadamente centrada em Rob Cole e senti falta de um aprofundamento sobre outros personagens. É um livro que faz lembrar um roteiro de filme. E de fato, depois de pesquisar na internet, vi que não faz muito tempo que adaptaram a estória para o cinema. Isso não desmerece o tempo lido, no entanto a estória tem lá seus clichês típicos de um filme de aventura. De modo geral, a leitura vale a pena por conduzir o leitor nas  culturas cristã, judaica e islâmica da época.

Resenha: Como Jesus se tornou Deus – Bart D. Ehrman

Apesar do título, “Como Jesus se tornou Deus” é um livro que não tem pretensões teológicas. O autor é um pesquisador que faz uma análise histórica sobre como as pessoas compreenderam Jesus no desenrolar do primeiro até o quarto século do cristianismo.
Bart D. Ehrman escreve o livro de maneira acessível ao público, problematizando questões sobre a pessoa de Jesus de Nazaré sem utilizar uma linguagem demasiadamente acadêmica. Isso é seu mérito, pois o assunto já foi motivo de diversos estudos e publicações, mas não com o objetivo de popularizar o debate. O livro conserva as referências bibliográficas das fontes utilizadas pelo autor e o mesmo é honesto quando expressa as suas opiniões mais particulares.
O tema é polêmico. A grande maioria dos crentes e até mesmo dos não crentes, aprendem que Jesus sempre foi entendido como Deus. Segundo Ehrman, do cristianismo primitivo até o século IV, houve várias percepções sobre a divindade de Jesus e estas percepções evoluíram e competiram entre si, até chegar a uma proposição ortodoxa que é a aceita hoje. Bem resumidamente, existiam duas correntes de pensamento: uma dizia que Jesus teria se tornado divino por adoção de Deus e a outra que dizia que Jesus era uma criatura divina por natureza que foi encarnado homem e que foi exaltado tão divino quanto Deus. Atualmente é dogmático o conceito de Jesus como segunda pessoa da Trindade e consubstancial ao Pai, não criado, igual em poder e eterno desde sempre. Um dogma que foi imposto graças à intercessão do Constantino, o imperador convertido que viu no cristianismo a força amálgama que uniria o Império Romano. Se a Igreja continuasse com diferentes interpretações e divisões, a fragmentação do Império não seria contida. Foi escolhida a compreensão aceita pela maioria e os que insistiram no desacordo foram exilados.
A abordagem do livro começa com um estudo sobre a interação entre deuses e humanos na antiguidade, não somente na cultura pagã mais também judaica. Apresenta outros candidatos a “messias” que concorreram com Jesus. Entra nos livros do Novo Testamento ressaltando as diferenças entre os evangelhos canônicos e investiga demoradamente as cartas do apóstolo do Paulo no que se refere ao tema. As cartas dos outros apóstolos não são esquecidas e também são alvo do autor.
Como Jesus se tornou Deus é um livro instigante e despretensioso em determinar qual o melhor conceito sobre a divindade de Jesus. Nem tão pouco quer afirmar se realmente ele era ou não Deus. Não é um livro religioso ou de teologia. No entanto, a pesquisa histórica de Bart D. Ehrman deixa aparecer o humano Jesus. Sábio e humilde rabi que vindo da zona rural, transmitia uma mensagem simples e inovadora de amor para todos que quisessem ouvir. Com o passar do tempo essa mensagem começou a receber múltiplas interpretações e refinamentos, modificando não apenas o evangelho em si como a própria visão sobre a pessoa dele.