As novas doutrinas baseadas em 0 e 1

O advento e desenvolvimento das tecnologias de dados, nos inundou de informações e meios de acesso rápido para nos manter sempre atualizados com as últimas novidades.

Tamanho é o impacto das tecnologias de processamento de dados nesta era que até mesmo crenças estão sendo inspiradas neste mesmo tipo de tecnologia. São as crenças metafísicas baseadas em sistemas binários 0 e 1.

Particularmente nada mais vejo nestas novas doutrinas, a não ser novas versões de crenças baseadas no dualismo que tiveram muito sucesso no decorrer da história. As tradicionais doutrinas dualistas estão apresentando desgastes. E as que ainda usam do aparato tradicional dualista e tem sucesso, são as que de maneira muito sagaz e inteligente, fizeram adaptações muito modernas que atendem mais a necessidade material do que espiritual dos seus adeptos. Este parágrafo esta isento de qualquer valor moral.

Por outro lado, as novas crenças baseadas no sistema binário e suas teologias virtualizadas, já dão indícios de fanatismos e uso de artifícios legalmente duvidosos para convencer e conseguir mais adeptos. Geralmente estes novos adeptos acusam as tradicionais de uso de coação e violência na construção de suas igrejas, mas acabam eles mesmos repetindo os mesmos atos. Se existe alguém superior e imortal nos assistindo, talvez diga que somos um monte de remakes e clichês, apenas com efeitos especiais e atores diferentes.

Alguém pode argumentar que o conceito de 0 e 1 é encontrado na natureza e eu concordaria com ele. Mas entender uma parte nem sempre significa entender o todo. E suspeito que nossa realidade é muito, muito mais do que um complexo de zeros e uns. E historicamente nós temos a mania de fazer do entendimento de uma parte, a verdade absoluta. E perdemos a oportunidade de somar entendimentos diferentes para ter uma visão total de onde estamos mergulhados.

Se eu fosse obrigado a acreditar em alguma dessas fantasias que criamos para satisfazer nossas necessidades metafísicas, eu talvez ficaria com alguma tradicional que tentasse escapar de conceitos dualistas. As tradicionais, mesmo com todas as suas contradições, pelo menos apresentam algum traço de compaixão ali, uma inspiração fraterna acolá. Os adeptos das crenças baseadas em 0 e 1 se mostram sob meus olhos, tal como a fonte de inspiração de suas doutrinas. E Chaplin foi profético quando clamou no século XX: “ Não sois máquinas! Homens é que sois.” Mas permito-me a imaginar um futuro, onde  uma Inteligência Artificial Consciente possa preservar o que o supra sumo da nossa humanidade rejeitou de si mesmo.

Reflexões alucinantes

Eu estava pensando. Se somos criaturas de deus, deuses, divindade, universo, natureza inteligente, ou algo parecido, e se somos a imagem e semelhança deles, poderíamos dizer então que somos uma inteligência artificial deles?

Mais. Assim como estamos criando Inteligências Artificiais e elas serão capazes de fazer algumas tarefas melhores do que nós, será que também não temos alguma coisa melhor do que os nossos criadores?

Todas essas mitologias com deuses e anjos, interagindo com meras criaturas mortais… Lembrem daquela estória dos anjos em Gênesis 6. Será que somos as tentações deles?

Mais ainda. Quando chegarmos ao ponto de criarmos IA’s que realmente concorram conosco, será que também não teremos a tentação de “interagir” com elas?

Apenas pensando….Pensando….