Poema alucinante – O Velho Eldorado

“Eu moro sozinho e cozinho em um forno sempre paracelso entre 1493 e 1541 graus. Nós sábados, eu cozinho Jean-Paul Sartre, embebido em um Kierkegaard 1813. Depois deste almoço, a minha sobremesa era um manjar de Nietzsche. Mas com o passar do tempo, comecei a enjoar do sabor bigode realista. Hoje um pedaço de pão com pasta de amendoim me basta.”

Ouvi esse velho na estação de metrô eldorado. Intrometido, nem pediu licença aos meus ouvidos. Suas lorotas não ganharam meus olhos que flechavam um relógio marcando 15 romanos para 3 sebastiões da tarde em 20/01/1991.

E agora que tenho a idade daquele velho, não sei cozinhar um ovo frito. E encomendo pizzas que não entendo o sabor.